STCP melhora resultados em 15 milhões de euros, mas continua no vermelho

  • ECO
  • 17 Maio 2019

Apesar do resultado líquido ter sido negativo a receita do serviço de transportes registou um aumento de 5% em comparação a 2017. Orçamento foi quase todo dedicado à renovação da frota.

Os transportes coletivos do Porto voltaram a fechar o ano com prejuízos (1,8 milhões de euros), apesar de ter conseguido ter uma forte recuperação ao longo do ano passado. A empresa que ainda tem um passivo de 441,4 milhões de euros, dedicou quase integralmente o investimento realizado à renovação da frota.

De acordo com o comunicado enviado à CMVM, a Sociedade Transportes Coletivos do Porto (STCP) teve resultado líquido negativo de 1,8 milhões de euros que corresponde a uma melhoria de 13 milhões face a 2017. Em 2018, ano em que foi integralmente materializada a transferência das competências de gestão operacional da STCP, do Estado para os seis municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP), a empresa realizou investimentos na ordem dos 14,7 milhões de euros, o que corresponde a 2,5 vezes do somatório do investimento dos últimos sete anos.

Por outro lado, 96% do orçamento foi direcionada para a renovação da frota: “Durante o ano de 2018 começaram a ser rececionados os primeiros 28 autocarros da nova geração a gás natural, de um total de 173, e 12 autocarros movidos a energia elétrica, de um total de 15, em sequência dos concursos públicos internacionais lançados em 2017, correspondendo ao investimento global de 47 milhões de euros”, especifica o presidente da empresa, Paulo Azevedo, no relatório e contas de 2018.

Estas viaturas fazem parte de um conjunto de 274 novas viaturas que entrarão ao serviço da STCP até 2021, correspondendo à renovação da frota em 65%. Segundo a STCP, “ao longo do ano de 2019 está prevista a receção e entrada em operação de mais 60 novos autocarros a gás natural, de modo faseado. Esta primeira fase do projeto da renovação da frota, conta com o financiamento do POSEUR, para a substituição de 188 autocarros em fim de vida por novas viaturas limpas, que estarão em operação na totalidade até dezembro de 2020, contribuindo para a descarbonização da operação da STCP”.

Com o aumento da frota houve também um aumento da receita do serviço de transportes — 5% face ao ano anterior para 47,8 milhões de euros. De acordo com o relatório, em 2018, a STCP transportou um total de 73.4 milhões de passageiros, o que corresponde a um crescimento homólogo de 1,4%.

A empresa recorda ainda que em 2018 foi autorizada a contratar 56 novos trabalhadores (36 em 2018 e 20 em 2019) e a substituir até 63 trabalhadores, para compensar as saídas. “Do total de trabalhadores autorizados, 48 destinam-se à operação do modo autocarro cuja admissão decorre de forma faseada, 28 em 2018 e 20 em 2019, estas últimas sujeitas a avaliação da redução do trabalho extraordinário, por via de contratação
ocorrida em 2018”, explica o documento.

Os resultados anuais da STCP, revelam ainda que o resultado operacional da empresa foi positivo em 5,1 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 148% face a 2017. E o mesmo acontece com o EBITDA recorrente que também foi positivo em 1,9 milhões de euros o que representa uma recuperação de 309% face ao ano anterior.

O ano passado, o Estado fez dois aumentos de capital da empresa, no montante global de 74,88 milhões de euros, mas “a 31 de dezembro de 2018 o capital próprio era negativo em 331,7 milhões de euros, registando um desagravamento de 76,3 milhões de euros (18,7%) devido aos aumentos de
capital, ocorridos no ano”.

O Estado concedeu ainda vários empréstimos à STCP num montante global de 48,46 milhões de euros para fazer face aos encargos financeiros, nomeadamente relacionados com o contrato SWAP do Banco Santander Totta. O relatório especifica que, em 2017, a empresa se endividou em 14,6 milhões de euros por causa do swaps e que, o ano passado “a dívida contraída para pagamento de encargos com Swap” foi de 61,9 milhões de euros.

Em 2018, para além do pagamento dos juros dos cupões swap do ano, foram também pagos os juros históricos de swap, revela o relatório.

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