Críticas do BCE “não põem em causa” reforma da supervisão

  • ECO
  • 23 Maio 2019

O BCE deixou reparos à reforma da supervisão financeira em Portugal. Ricardo Mourinho Félix diz que instituição levantou pontos que o Banco de Portugal já tinha levantado "de forma mais apaixonada".

Para Ricardo Mourinho Félix, as críticas do Banco Central Europeu (BCE) são “acomodáveis” e “não põem em causa a estrutura da reforma” da supervisão financeira. Ainda assim, o secretário de Estado Adjunto das Finanças sublinha que há divergências com a instituição de Mario Draghi, nomeadamente no que diz respeito à possibilidade de sujeitar o Banco de Portugal à inspeção da IGF.

“O parecer não traz nenhuma surpresa”, referiu Mourinho Félix em declarações ao Jornal de Negócios (acesso livre), que fez questão de notar que o BCE levanta de modo “claro e objetivo” um conjunto de “pontos e questões que o Banco de Portugal já tinha levantado de forma mais apaixonada”.

São vários os reparos feitos pelo BCE à proposta de supervisão financeira em Portugal lançada por Mário Centeno nos últimos anos e que está agora nas mãos do Parlamento. Em muitos casos, as mudanças propostas vão contra as regras europeias e do próprio Sistema Europeu de Bancos Centrais, nomeadamente quanto à independência do governador do Banco de Portugal ou ao financiamento da Autoridade da Concorrência. Outros pontos da proposta carecem de maior clareza.

Na reação, o secretário de Estado frisa ao jornal que algumas das questões sinalizadas pelo BCE já foram tidas em conta na proposta final que foi enviada à Assembleia da República, mediante a alteração de alguns pontos na sequência do parecer do Banco de Portugal.

Mas mantém-se pelo menos uma divergência entre Lisboa e Frankfurt: a possibilidade de o Banco de Portugal ser inspecionado pela IGF. “A independência é o direito de os supervisores exercerem a supervisão sem o controlo do Governo. Mas não pode ser levada a um extremo em que não haja controlo financeiro e democrático”, responde Ricardo Mourinho Félix, assegurando que a proposta, tal como está, já acautela a independência necessária aos supervisores.

“O Banco de Portugal é uma pessoa coletiva de direito público e deve estar sujeito à atividade inspetiva. A IGF não é um serviço do Ministério das Finanças, é uma autoridade que faz inspeções sobre a boa utilização do dinheiro público”, reforça Mourinho Félix, defendendo que a IGF deve fazer inspeções no banco central “como faz por exemplo nos tribunais”.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Críticas do BCE “não põem em causa” reforma da supervisão

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião