Banco de Portugal alerta que guerra de spreads da banca pode fazer crescer malparado no futuro

Banco de Portugal alerta para os riscos que trazem as estratégicas dos bancos para atrair clientes. Pede às instituições que tenham "cuidado" nos critérios de concessão de crédito à habitação.

A descida dos spreads oferecidos pelos bancos para a concessão de crédito à habitação poderá vir a contribuir para um aumento do malparado no futuro. O alerta é feito pelo Banco de Portugal (BdP) no relatório de estabilidade financeira, publicado esta quarta-feira, que aponta para os riscos das estratégias dos bancos para atrair clientes.

“A tentativa de aumentar o volume de crédito através da fixação de spreads de taxa de juro que não cubram o risco de crédito de maneira sustentável poderá resultar, no futuro, num maior nível de incumprimento”, alerta o BdP.

Os maiores bancos em Portugal entraram numa guerra de spreads para aumentar a competitividade e atrair clientes para o crédito à habitação, apesar de o supervisor lançado alertas e limitações à concessão de empréstimos. Entre as dez maiores instituições financeiras no mercado português, a disputa pelo spread mais baixo levou o intervalo entre as propostas mais competitivas a apenas 25 pontos base, no intervalo entre 1% e 1,25%.

O BdP avisa que “é importante que as instituições tenham particular cuidado na definição dos critérios de concessão de crédito”, especialmente porque “continua a existir evidência, em termos agregados, de sobrevalorização no mercado imobiliário residencial desde a segunda metade de 2017”.

Além do aumento dos preços das casas — que o supervisor considera que não foi impulsionado pelo crédito bancário e que poderá ser mitigado com o travão aplicado pelo BdP à concessão de empréstimos –, a dependência do mercado imobiliário do exterior também é um risco.

O mercado imobiliário português continua a estar particularmente dependente da intervenção de não residentes, seja por via do turismo, seja por via do investimento direto. O abrandamento mais acentuado da atividade económica a nível global, decorrente em particular da materialização de eventos de tensão geopolítica, aumentos de prémio de risco e eventuais alterações no quadro regulamentar nacional sobre o mercado imobiliário poderão vir a traduzir-se numa interrupção brusca do dinamismo do imobiliário e, consequentemente, num ajustamento abrupto em baixa dos preços”, refere o relatório de estabilidade financeira.

O forte dinamismo do imobiliário e a guerra dos spreads faz renascer o risco do crédito malparado, que durante a crise penalizou fortemente a banca portuguesa e cuja recuperação ainda não está completa.

Nos últimos dois anos e meio, o sistema bancário reduziu o stock de non-performing loans (NPL) em cerca de 50% e o rácio de NPL para 9,4% (menos 8,5 pontos que em 2016). “A redução do rácio de NPL bruto das SNF [sociedades não financeiras] foi transversal no setor bancário, tendo as instituições com maior rácio registado uma diminuição mais acentuada”, refere o BdP, clarificando que a redução do rácio “resultou, principalmente, das vendas de empréstimos non-performing, estimando-se o impacto de 3,3″ pontos percentuais.

Apesar das melhorias e “dado o nível de NPL ainda elevado no contexto europeu, é necessário assegurar a continuação deste ajustamento”, recomenda o supervisor. A necessidade é especialmente importante tendo em conta os desafios que a banca enfrenta, incluindo baixas taxas de juro e pressão concorrencial que pressionam margens comerciais, a competição das tecnológicas ou a transformação digital.

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