Exclusivo Marcelo condecora Draghi no fim do mandato no BCE

Draghi está em Portugal a participar no Fórum do BCE, pela última vez, na qualidade de presidente. Em 2012, disse que o BCE faria o que fosse preciso para salvar o euro.

Mario Draghi, presidente do BCE, participou na reunião do Conselho de Estado, a 6 de abril de 2016, como convidado do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.Rui Ochoa/Presidência da República

Marcelo Rebelo de Sousa vai condecorar Mario Draghi, aproveitando a presença do presidente do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra no fórum organizado pela autoridade monetária europeia, e numa altura em que faltam pouco mais de quatro meses para o fim do mandato de Draghi, confirmou o ECO junto de fonte de Belém.

Segundo apurou o ECO, a condecoração está agendada para quarta-feira, pelas 19 horas no Palácio de Belém. É nesse dia que termina o Fórum do BCE em Sintra, que arranca esta segunda-feira com um jantar precedido por uma abertura que fica a cargo de Draghi.

Esta não é a primeira vez que Marcelo valoriza a atuação de Draghi. A 7 de abril de 2016, o presidente da autoridade monetária europeia foi o convidado especial do Chefe de Estado português no Palácio de Belém, ao fazer uma intervenção na primeira reunião do Conselho de Estado com Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República sobre o enquadramento da situação económica e financeira da Europa.

Nessa altura, em Portugal todas as atenções estavam centradas na estabilidade do setor financeiro. A presença de Draghi em Lisboa foi aproveitada para contactos ao mais alto nível para debater temas como a capitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a venda do Novo Banco, passando por questões relacionadas com o conjunto do sistema financeiro, como o crédito malparado, e também a situação de exposição do BPI a Angola. Além de autoridade máxima ao nível da política monetária, o BCE tem é também o supervisor europeu do sistema financeiro.

O mandato de oito anos de Mario Draghi ficará para sempre marcado por uma das frases mais famosas na resposta à crise do euro. Em 2012, quando Grécia, Irlanda e Portugal já tinham pedido resgate internacional, Mario Draghi disse: “O BCE está preparado para fazer tudo o que for preciso para preservar o euro”. E assim foi. O banco central europeu anunciou pouco depois um programa de compra de dívida dos países em dificuldades.

O Fórum do BCE está decorrer lugar no Penha Longa Resort e junta 23 governadores de bancos centrais que representam mais de 20% da economia mundial, incluindo pelo menos quatro que têm sido apontados como possíveis candidatos à cadeira de Mario Draghi. São eles Jens Weidman, do Banco Central da Alemanha, François Villeroy de Galhau, do Banco Central de França, Olli Rehn, do Banco Central da Finlândia, e Klaas Knot, do Banco Central da Holanda.

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