Altice vai processar autores do estudo sobre o SIRESP

Para a Altice, o estudo sobre o SIRESP resultou num "relatório oco, sem substância, com falhas técnicas, omissões e erros gravíssimos" e, por isso, vai avançar para tribunal.

O estudo entregue ao Governo sobre o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), cuja autoria foi atribuída ao Instituto de Telecomunicações (IT), resultou num “relatório oco, sem substância, com falhas técnicas, omissões e erros gravíssimos”, acusa a Altice. Nesse sentido, a empresa diz estar a colaborar com o Ministério Público (MP) para avançar com uma investigação.

“A Altice Portugal reafirma que este é um relatório oco, sem substância, com falhas técnicas, omissões e erros gravíssimos de caráter operacional, que revela uma enorme falta de qualidade e conhecimento específico sobre a matéria”, escreve a Altice, em comunicado, sublinhando que o mesmo viola a “confidencialidade de informação”.

A empresa de telecomunicações acrescenta que a apresentação do estudo “foi feita de forma ilegítima, já que foi feita em nome e com timbre do IT” e que o mesmo foi “realizado por um conjunto de cidadãos individuais, alegadamente especialistas, que, não tendo capacidade de fazer eco das suas declarações, usam a imagem do IT e dos seus parceiros, apenas para ampliar a sua posição pessoal e projeção mediática“.

Neste sentido, a Altice diz estar em “processo de comunicação ao MP para investigação da usurpação por parte de cidadãos individuais, de marcas, logótipos e do nome de instituições de prestígio nacional e internacional”, numa tentativa de “atribuir notoriedade e credibilidade a um trabalho totalmente alheio a essas instituições”.

A empresa diz que vai transmitir ao MP aquilo que considera serem “declarações gravosas e indecorosas, infundadas e ilegítimas que põem em causa o bom nome e o prestígio” da marca.

Empresas afastam-se da responsabilidade

O grupo de trabalho que analisou a rede SIRESP a pedido do Governo concluiu que a rede não é segura e que necessita de investimentos entre os 20 e os 25 milhões de euros. Entre as várias recomendações, o relatório sugere que o Governo pense já numa alteração da estrutura da rede, criando uma rede de cabos de fibra ótica enterrados ou com ligações por feixes hertzianos, com redundância, a instalar “em cerca de dois anos”.

As críticas às conclusões do estudo não tardaram. “É um estudo que demonstra profunda ignorância e desconhecimento”, disse Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal, que está responsável pela manutenção da rede até meados de 2021.

No relatório constam os logótipos do IT, da Universidade de Aveiro, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e da Altice Labs. Contudo, as empresas já se começaram a afastar desta responsabilidade. Em declarações à TSF, o reitor da Universidade de Aveiro garantiu que o IT, do qual é parceira, não é autor do estudo. Paulo Jorge Ferreira explicou que Carlos Salema, presidente do IT, presidiu ao grupo de trabalho em nome pessoal.

O mesmo defendeu a Altice Labs que, numa nota enviada esta terça-feira afirmou que “não teve qualquer tipo de conhecimento” do estudo sobre o SIRESP, dado que a autoria do mesmo foi atribuída ao IT, do qual a Altice Labs é parceira. “A Altice Labs deparou-se com o desconhecimento total da origem de tal documento, também por parte de todos os outros parceiros associados do IT”, refere o documento.

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