BRANDS' SEGUROS Transição IBOR no Sector Segurador

  • ECOseguros + EY
  • 15 Julho 2019

Carla Sá Pereira, EY Associate Partner, Financial Services, fala da Transição IBOR no Sector Segurador.

A transição das IBORs para as ARRs irá constituir um esforço de transformação significativo para empresas de serviços financeiros.

Para o sector segurador, identificam-se impactos em áreas como a avaliação de ativos, o desconto utilizado nas provisões técnicas e nas posições de derivados em estratégias de ALM. Por outro lado, os modelos de avaliação de risco e de capital são também potencialmente afetados não só pela extinção das IBORs mas também pelas limitações de dados históricos relativos às novas ARRs. É, assim, importante que o sector segurador compreenda, planeie e se prepare para a transição.

As interbank offered rates (IBORs) impactam montantes de triliões de dólares em instrumentos financeiros em todo o mundo, sendo utilizadas pelos serviços financeiros todos os dias, e globalmente, por um amplo grupo de participantes no mercado e numa alargada gama de tipos de produtos, há mais de 40 anos.

As IBORs são taxas médias às quais certos bancos podem contrair empréstimos no mercado interbancário e que variam de prazos desde overnight a 12 meses. As taxas incluem um spread que reflete o risco de crédito envolvido no empréstimo de dinheiro aos bancos.

Para além da EURIBOR (Euro interbank offered rate), a taxa oferecida no mercado interbancário do Euro, temos, por exemplo, a LIBOR (London interbank offered rate) e a TIBOR (Tokyo interbank offered rate), que correspondem, respetivamente, às taxas oferecidas no mercado interbancário de Londres e do Japão.

Um conjunto de reguladores iniciou a reforma das IBORs para restabelecer a confiança e a robustez das taxas de referência, sendo esse esforço impulsionado por diversos fatores:

  • ­ Risco sistémico devido à incerteza em torno da durabilidade das IBORs;
  • Relutância do painel de bancos que determinam a LIBOR e a EURIBOR em apresentar cotações;
  • Redução da liquidez nos mercados de financiamento interbancário sem garantia;
  • Constatação da existência de tentativas de manipulação e de falsificação de reportes.

Não estando ainda fechado o calendário para a extinção das IBORs, antecipa-se que tal possa ocorrer, tanto para contratos existentes como para novos, até ao final de 2021.

Espera-se que a transição das IBORs para as alternative reference rates (ARRs) constitua um esforço de transformação significativo para empresas de serviços financeiros e para os participantes no mercado com exposição mais significativa a produtos e contratos vinculados às IBORs. Por outro lado, as IBORs estão também largamente incorporadas nos processos, operações, modelos e dados, bem como na infraestrutura tecnológica das empresas de serviços financeiros.

A escala do impacto é já amplamente reconhecida e, embora admitindo que a mesma terá um impacto mais significativo em alguns sectores, como por exemplo o bancário, outros sectores, como o segurador, deverão estar também atentos e preparados para a mudança.
É, assim, importante que o sector segurador compreenda, planeie e se prepare para a transição.

Em concreto, identificam-se impactos em áreas como a avaliação de ativos, o desconto utilizado nas provisões técnicas e nas posições de derivados em estratégias de ALM. Por outro lado, os modelos de avaliação de risco e de capital são também potencialmente afetados não só pela extinção das IBORs mas também pelas limitações de dados históricos relativos às novas ARRs. Pelo que será essencial identificar os temas que terão maior impacto e proceder a uma adequada quantificação.

Como em qualquer mudança, é também importante identificar e avaliar os impactos operacionais. Antecipamos impactos ao nível dos contratos, produtos e investimentos mas também em diferentes áreas das seguradoras desde o front ao back-office, passando necessariamente pela infraestrutura de tecnologia e pela área financeira.

Estar preparado permitirá fazer um planeamento dos trabalhos para a transição da IBORs informado e adaptado a cada situação concreta e alcançar uma transição suave para as ARRs.

O setor segurador tem atualmente como uma das suas principais prioridades a avaliação e implementação da IFRS 17, no âmbito do qual a avaliação do balanço de acordo com uma abordagem market-consistent é absolutamente central. Assim, as seguradoras podem equacionar se integrar a preparação da transição para as ARRs nos seus programas de implementação da IFRS 17, para muitas já em curso, poderá trazer sinergias.

A EY realizou um benchmarking global em nome de trade associations para estabelecer visões de mercado globais sobre o impacto de uma transição das IBORs para as ARRs.
Com base no profundo conhecimento da EY sobre o mercado e seus desafios de transição, os nossos profissionais experientes desenvolveram uma estrutura abrangente end-to-end para acelerar a transição para as ARRs.

 

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