Vem aí novo pacote de estímulos. “Nenhum instrumento está absolutamente excluído”, diz Draghi

Corte de juros, sistema de mitigação ou compra de dívida são algumas das possibilidades que deverão ser conhecidas em setembro. Mas o presidente do BCE deixou em aberto o uso de opções nunca usadas.

Ainda há poucos pormenores sobre o que aí vem, mas ficou claro que será grande e diversificado. O Banco Central Europeu (BCE) abriu a porta a um novo pacote de estímulos à economia da Zona Euro e o presidente Mario Draghi garantiu que todas as possibilidades estão em cima da mesa.

“O outlook económico está cada vez pior”, disse Draghi em conferência de imprensa, explicando que o Conselho de Governadores concordou de forma unânime que há mais riscos e que uma recuperação económica no segundo semestre do ano “é cada vez menos provável”. Neste cenário, “se outlook de inflação a médio prazo continuar a falhar o nosso objetivo, o Conselho de Governadores está determinado a agir“.

O (ainda) presidente do BCE disse várias vezes que a instituição está pronta a lançar estímulos adicionais à economia, reafirmando o que tinha dito no Fórum BCE, em Sintra no mês passado. As primeiras linhas gerais foram conhecidas esta quinta-feira após uma reunião do Conselho de Governadores em que os decisores estiveram exatamente a debater qual o mix que será lançado, possivelmente já em setembro.

“Sempre que há um pacote tão complexo quanto este, é expectável que as pessoas tenham diferentes perspetivas sobre diferentes partes do pacote. Mas o importante é que foi aprovado um pacote, após uma ampla discussão“, explicou Draghi.

Questionado várias vezes e de formas diferentes, não especificou quais os instrumentos que serão usados, atirando para setembro os pormenores. Sublinhou: “Nenhum instrumento está absolutamente excluído“, diz, numa altura em que além do corte de juros e da compra de dívida, também a compra de ações tem sido apontada como possível “arma” por parte do BCE.

Em comunicado, antes da conferência de imprensa, o BCE já tinha, no entanto, dado alguns sinais sobre o que poderão ser esses instrumentos, a começar pelos juros. Não houve alterações — a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento ficou em 0%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25% e de facilidade permanente de depósito em -0,40% –, mas o banco central introduziu a possibilidade de um corte nos próximos 12 meses.

O corte poderá ser apenas na taxa de depósitos, o que penaliza a rentabilidade da banca e deverá levar o BCE a lançar um sistema que reduza o impacto.

“O Conselho de Governadores deu instruções aos comités relevantes do Eurossistema para avaliarem opções, incluindo formas de reforçar a forward guidance em relação à política de taxas de juro, medidas de mitigação como um sistema escalonado para as remunerações das reservas e opções para o tamanho e composição de potenciais novas compras líquidas de ativos”, explicou o BCE.

Após três anos de compra líquida de dívida pública e privada da Zona Euro, o BCE passou o programa de aquisição de ativos para uma nova fase, no final de 2018. Desde o início do ano que têm decorrido apenas reinvestimentos dos montantes que atingem as maturidades. Agora, poderá voltar atrás e voltar à fase de compra líquida de dívida.

“A prolongada presença de incertezas relacionadas com fatores geopolíticos, a crescente ameaça de protecionismo e as vulnerabilidades nos mercados emergentes está a comprometer o sentimento económico”, sublinhou Draghi. “Um grau significativo de estímulos monetários continua a ser necessário“.

Os detalhes do pacote deverão, assim, ser conhecidos a 12 de setembro, data da próxima reunião de política monetária do BCE e a última liderada por Mario Draghi. Após oito anos à frente do BCE, o italiano irá terminar o mandato a 31 de outubro e será substituído por Christine Lagarde (que até aqui dirigia o Fundo Monetário Internacional). “Será uma execional presidente do BCE. Digo-o com conhecimento dela que vem de há mais tempo do que ambos gostaríamos de reconhecer”, acrescentou Draghi sobre a sucessora.

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