Juros dos depósitos fixam novo mínimo histórico. Pagam 0,12%

Junho foi marcado por uma nova redução da taxa de juro oferecida pelos bancos nos depósitos a prazo. A taxa está em mínimos de, pelo menos, 19 anos e meio.

Os juros dos depósitos a prazo mergulharam rumo a um novo mínimo. Em junho, as novas aplicações em depósitos a prazo foram remuneradas a uma taxa média de 0,12%. Trata-se do valor mais baixo pelo menos dos últimos 19 anos e meio.

De acordo com estatísticas do Banco Central Europeu (BCE) divulgadas nesta quarta-feira, os bancos cortaram a remuneração média dos novos depósitos a prazo dos 0,13% que vigoraram em maio, para uma taxa de juro média de 0,12%, em junho.

Esse valor é o mais baixo do histórico da entidade liderada por Mario Draghi, cujo início remonta a janeiro de 2000. Ou seja, há 19 anos e meio.

Juros dos novos depósitos renovam mínimos históricos

Fonte: BCE

Aquele que tradicionalmente sempre foi o produto de eleição para os portugueses aplicarem as suas poupanças perde assim cada vez mais o brilho de outrora. Esta realidade enquadra-se num contexto em que os juros de referência da Zona Euro não só se encontram em mínimos, como podem mesmo atingir valores ainda mais baixos, sobretudo tendo em conta o feedback que tem sido dado pelo BCE.

Desde o Fórum do BCE quer decorreu em meados de junho em Sintra que os sinais da entidade responsável pela política monetária da Zona Euro têm apontado nesse sentido. Na última reunião de política monetária, Mario Draghi reforçou essa expectativa ao abriu a porta a um novo pacote de estímulos à economia da Zona Euro, garantindo que todas as possibilidades estão em cima da mesa. Uma delas é um novo corte dos juros.

Ou seja, uma boa notícia sobretudo para quem tem crédito à habitação, mas inevitavelmente má para quem tem dinheiro depositado nos bancos, já que é expectável que estes cortem ainda mais nos juros das aplicações a prazo, para compensar.

O nível historicamente baixo dos juros de referência do BCE e a expectativa de um novo corte já colocou, aliás, os bancos em sentido. Estes têm-se queixado do impacto negativo que tal poderá ter sobre os seus resultados.

Menos que em Portugal? Só na Irlanda e em Espanha

A fraca atratividade da remuneração oferecida pelos bancos nos depósitos a prazo não se esgota a nível nacional. Esta compara com uma taxa de juro média de 0,36% em vigor na Zona Euro, em junho.

Mas Portugal mantém-se no grupo dos menos generosos. Em junho, no universo de 19 países da Zona Euro apenas dois pagaram menos pelo depósitos a prazo do que a banca nacional. Em concreto, Espanha e Irlanda, onde a taxa de juro média das novas aplicações em depósitos se situou em 0,05% e 0,04%, respetivamente.

No lado oposto, a Holanda sobressai como o país mais generoso, onde a banca ofereceu um juro médio de 1,33%, e acima dos 1,32% que ofereceu em maio.

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