Depósitos que rendem 4%? São muito raros, mas ainda existem (nos estruturados)

São uma raridade e nada é garantido. Desde o início do ano houve apenas um depósito estruturado com uma taxa anual bruta superior a 4%. Com um juro de 1% ou mais, foram oito.

Numa altura em que metade do dinheiro nos depósitos a prazo não rende nada aos aforradores, ainda se encontram no mercado depósitos uma taxa bruta acima de 4%. É uma raridade — próxima mesmo da extinção — e tem maior risco, mas um depósito estruturado (entre quatro dezenas que venceram este ano) ofereceu uma taxa anual nominal bruta (TANB) a fazer lembrar o velhinho tempo dos “superdepósitos” da banca nacional.

Os depósitos estruturados (os antigos depósitos indexados) têm uma remuneração associada à evolução de instrumentos financeiros, variáveis económicas ou financeiras. As ações de quatro ações de utilities (EDF, Iberdrola, RWE e Exelon) foram o ativo financeiro que mais rendeu aos investidores que apostaram em depósitos estruturados em Portugal.

O “Invest Utilities Ago-17” do Banco Invest, cuja remuneração foi indexada a estes títulos ao longo de um ano e meio, liderou os ganhos com uma taxa bruta de 4,101% entregue aos clientes a 7 de março, data da liquidação.

Com taxas acima de 1% houve ainda sete outros casos. O “NB Dual Crescimento Europa III 2016-2019″ do Novo Banco teve duas componentes fixas — 0,25% em janeiro de 2016 e 4% entre fevereiro e julho desse ano — e uma outra variável ao longo dos três anos do depósito de 0,97%. O “Depósito Valor Top EUA USD”, do Santander Totta, fechou o top com uma taxa bruta de 2,44%, de acordo com os dados do Banco de Portugal recolhidos pelo ECO.

Fonte: Banco de Portugal

Tal como os restantes depósitos a prazo, os depósitos estruturados são cobertos pelo fundo de garantia de depósitos. O risco prende-se com o facto de remuneração ser calculada apenas no final do prazo, depois de conhecida a evolução dos instrumentos financeiros ou variáveis económicas ou financeiras a que estão associados.

E, na grande maioria dos depósitos, o cálculo não foi favorável aos aforradores. Desde o início do ano, 43 depósitos estruturados atingiram as maturidades. Três deles apresentaram mesmo uma rendibilidade de 0%, ou seja, nada. Entre os restantes 32 depósitos que tiveram uma taxa positiva, a rendibilidade variou entre 0,03% e 0,648%.

Estes valores ficam próximos dos oferecidos nos novos depósitos a prazo. Após dois meses em mínimos históricos e de sete meses em que todas as alterações foram de descida, o juro médio subiu em abril para 0,14%. Em ambos os casos, à taxa bruta são ainda retiradas comissões e outros custos associados ao depósito, sendo nos estruturados pode ou não haver remuneração mínima garantida (dependendo das regras do depósito).

É cada vez mais difícil encontrar depósitos estruturados

Arriscar taxas mais altas com os depósitos estruturados em detrimento das aplicações a prazo tradicionais poderá, no entanto, ser uma tarefa cada vez mais difícil. É que os mesmos dados do Banco de Portugal incluem apenas três novos depósitos com subscrição aberta atualmente.

O “Millennium International 5 Ações agosto 2020″ comercializado pelo BCP, tem um prazo de um ano e meio e oferece 1% de TANB se o preço de fecho de todas as ações do cabaz (ações de empresas multinacionais, Eni, Telefónica, TOTAL, Coca-Cola e Pfizer) for igual ou superior ao registado na data de início do depósito ou de 0,05% nas restantes situações. A subscrição é feita com um mínimo de 1.000 euros.

Já o “NB Sustentabilidade: Água 2021”, do Novo Banco, é um depósito a dois anos que segue as ações de quatro empresas “contribuiu para uma maior sustentabilidade na utilização de um recurso tão escasso e precioso como a água”, como explica o banco: Xylem, American Water Works, Thermo Fisher Scientific e Veolia Environment. O mínimo de subscrição é de 500 euros e a TANB pode chegar a 2,25% se as cotações ficarem iguais ou subirem (ou 0,10% se desvalorizarem).

Está ainda disponível o “Depósito USD Índices Sectoriais Europa”, comercializado pelo Santander Totta até 20 de setembro. O depósito vence a 24 de setembro de 2021 (dois anos), tem um montante mínimo de constituição de mil dólares e a remuneração depende da evolução de três índices acionistas – o Euro Stoxx Insurance, o Euro Stoxx Industrial Goods & Services e o Stoxx Europe 600 Basic Resources. O pagamento será igual a 40% da rendibilidade média trimestral do Cabaz, com um mínimo de 0,60% e um máximo de 10,00%.

A fraca oferta segue em linha com a tendência verificada nos últimos anos. Os últimos dados do Banco de Portugal, referentes a 2017 — os de 2018 ainda não foram revelados –, indicam que o forte crescimento verificado entre 2012 e 2015, foi interrompido no ano seguinte e o interesse nestes produtos tem caído desde então.

“Em 2017, foram aplicados 1.997,6 milhões de euros em depósitos indexados e duais por 103.256 depositantes, valores que correspondem a diminuições de 36,5% e 43,7% respetivamente, face ao ano anterior”, refere o supervisor.

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