Sindicato dos registos ameaça com nova greve se Governo rejeitar as suas pretensões

  • Lusa
  • 17 Agosto 2019

O STRN pondera avançar com nova greve caso o Executivo não demonstre " vontade de encetar conversações de uma forma séria e justa"

O Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado ameaçou este sábado retomar a greve e adotar outras formas de protesto caso as suas pretensões de aumento de salários, progressões de carreiras e reformas dos serviços não sejam atendidas.

Apesar de ter desconvocado um segundo período de greve – que estava marcado para os dias 19 a 24 deste mês –, o sindicato adianta, em comunicado, que poderá voltar a avançar com nova paralisação.

“Se, nos próximos dias, não existir, por parte do Governo, vontade de encetar conversações de uma forma séria e justa, o STRN [Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado] ponderará avançar de novo para a greve e para outras formas de protesto, até que as suas pretensões sejam aceites”, refere no documento, hoje divulgado.

No último dia de uma greve que teve início na segunda-feira, o sindicato aproveita para anunciar que a adesão rondou os 90% e diz que, “em muitos pontos do país, [o protesto] encerrou por completo conservatórias e outros serviços”.

A greve “só não atingiu os 100%, porque alguns trabalhadores foram obrigados, ilegalmente, a assegurar os serviços mínimos decretados pelo Governo”, afirma o STRN.

O presidente do sindicato, Arménio Maximino, anunciou na quinta-feira que ia apresentar uma queixa-crime contra o Instituto dos Registos e Notariado, alegando haver um crime de desobediência referente aos serviços mínimos decretados pelo Governo.

Em causa está “um crime de desobediência ao acórdão do colégio arbitral que fixa os serviços mínimos dos trabalhadores” durante a greve, avançou o sindicato presidido por Arménio Maximino, numa nota.

Na sexta-feira, o sindicato desconvocou a greve marcada para a próxima semana, num “gesto de boa fé” para retomar as negociações com o Governo.

Segundo o presidente do STRN, depois do apelo do Governo aos motoristas de matérias perigosas para que desconvocassem a greve e optassem pela via do diálogo e das negociações com a associação patronal, os trabalhadores dos registos e notariado decidiram “dar um sinal de boa fé, um passo em frente, desconvocando a greve marcada entre os dias 19 e 24 deste mês.

Na origem desta greve, está, segundo o STRN, a proposta do Governo para o estatuto remuneratório, “que provoca um corte nos salários, bem como a progressão na carreira e a reforma dos serviços do registo, que vivem num autêntico caos”.

Ainda de acordo com o sindicato, cerca de 4.000 trabalhadores estão afetos ao STRN, representando mais de 80% da totalidade dos trabalhadores que exercem funções nas Conservatórias e outros serviços dos Registos e Notariado.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sindicato dos registos ameaça com nova greve se Governo rejeitar as suas pretensões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião