Défice externo cresceu 55% no primeiro semestre. Exportações sobem abaixo das importações

O saldo da balança corrente e de capital atingiu 2.600 milhões de euros no primeiro semestre, um agravamento de 55% face ao mesmo período do ano anterior. Saldo piorou quase mil mil milhões num ano.

O défice externo, medido pela balança corrente e de capital, alcançou 2.600 milhões de euros na primeira metade do ano, o que se traduz num aumento de 55% em relação ao período homólogo, revelou esta quarta-feira o Banco de Portugal. Apesar disso, face a maio, não se registou uma degradação do saldo, pelo contrário, observou-se um excedente de 15,59 milhões de euros.

No primeiro semestre de 2018, este défice tinha sido de 1.678 milhões de euros. Isto significa que entre os dois períodos em comparação registou-se um agravamento de 922 milhões de euros. Este saldo passou assim de 1,7% do PIB para 2,5% do PIB.

“Para esta evolução contribuiu, sobretudo, a balança de bens. Em termos homólogos, o défice da balança de bens aumentou 1.727 milhões de euros e o excedente da balança de serviços não se alterou. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações de bens e serviços cresceram 3,3% (2,4% nos bens e 5,2% nos serviços) e as importações aumentaram 7,3% (6,8% nos bens e 9,9% nos serviços)”, explica o banco central.

Os dados revelados a 17 de julho pelo Banco de Portugal indicavam que, até maio, a balança externa tinha atingido um saldo negativo de 2.614 milhões de euros, um valor que comparava mal com o observado nos primeiros cinco meses do ano anterior e que coloca a balança corrente e de capital no pior registo desde 2011. A revisão da base das contas nacionais em 2019 ditou uma correção aos números. Assim, o défice acumulado até maio passou a ser de 2.616 milhões de euros, pior do que o registando no mesmo período do ano anterior de 1.311 milhões de euros (na série anterior era 1.303 milhões de euros). Apesar dos ajustamentos a tendência de agravamento mantém-se.

Nos últimos dois anos, a trajetória do saldo melhorou na segunda metade do ano. A instituição liderada por Carlos Costa tem alertado para o regresso aos défices da balança comercial (bens e serviços) já este ano, embora acredite que Portugal vai continuar a apresentar capacidade de financiamento, ou seja, excedentes da balança externa (medida pela balança corrente e de capital). Esta evolução dever-se-á à redução dos juros da dívida pública e ao aumento das transferências da União Europeia para Portugal.

(Notícia atualizada)

 

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