MAS defende união do BE e PCP para criar Governo alternativo de esquerda

  • Lusa
  • 11 Setembro 2019

O Movimento Alternativa Socialista diz que BE e PCP têm “recusado lutar por um Governo conjunto alternativo" e que esta solução à esquerda pode trazer benefícios para as áreas da saúde e ambiente.

O Movimento Alternativa Socialista (MAS) defende que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista deviam juntar-se para criar “um Governo alternativo” de esquerda e “romper” com os sucessivos governos PS e PSD/CDS.

O MAS defende que o Bloco e o PCP deviam lutar por um Governo alternativo à falsa dicotomia que tem sido apresentada há 40 anos no país, que é governos PS ou governos PSD e CDS”, disse o líder do MAS e cabeça de lista pelo círculo de Lisboa às eleições legislativas.

Em entrevista à Lusa, o líder do MAS, partido que nasceu de uma dissidência do BE, considerou que Bloco e o PCP têm “recusado lutar por um governo conjunto alternativo”.

“Podem dizer que nunca tiveram votos suficientes, mas não é bem verdade. Nunca se coligaram. Nunca se juntaram, nunca fizeram uma plataforma comum, a não ser para apoiar o governo do PS”, frisou.

Para Gil Garcia, “não é totalmente impossível” constituir-se à esquerda uma proposta alternativa, tendo em conta que esta solução à esquerda podia contar com socialistas independentes e com portugueses “que não se reveem nos atuais partidos”.

“Quero que o Bloco e o PCP disputem o governo, criem um Governo alternativo, têm de criar uma aliança para romper com os governos do PS e os governos do PSD e CDS e aí exigirmos as soluções de fundo que o país precisa: reforço do Serviço Nacional de Saúde, alterações das condições laborais, uma política mais radical em relação ao problema do ambiente, às empresas que poluem quase por provocação, e ao plástico. A esquerda está muito aquém do que é necessário por isso é que é necessário mais alternativas”, sublinhou.

Como exemplo, referiu que o aumento de votos no PAN (Pessoas-Animais-Natureza) indica que “as pessoas querem alternativas, incluindo à atual esquerda tradicional”.

Gil Garcia salientou também que a esquerda em Portugal está atualmente “muito complacente com o regime e com o sistema”, o que pode contribuir para o aumento da extrema-direita em Portugal e para que o PS consiga obter uma maioria absoluta nas eleições de 6 de outubro.

Apesar de considerar difícil que o Partido Socialista alcance uma maioria absoluta, frisou que o BE e o PCP serão os responsáveis pelo aumento do número de votos no PS, uma vez que “branquearam o atual Governo com um apoio sistemático”.

Contudo, o MAS, que apresenta candidaturas em oito círculos eleitorais, vai apelar ao voto no BE e no PCP nos distritos onde não tem candidatos.

Nos outros distritos vamos chamar ao voto no Bloco e no PC para tentar evitar a maioria absoluta do Partido Socialista e tentar evitar que o PS possa ainda ter mais mãos largas do que teve no último período de tempo”, explicou.

Uma política de maior exigência aos casos de corrupção, aumento do salário mínimo nacional para 850 euros e a defesa dos direitos dos trabalhadores são as algumas das principais propostas do MAS às legislativas, que defende também uma revisão das leis da greve e da requisição civil, tendo em conta o que se passou com greve dos motoristas.

“É lamentável que seja uma geringonça, ou seja, um Governo PS de António Costa a difundir os serviços mínimos. O direito à greve foi anulado. O MAS, se eleger um deputado, vai exigir a revisão da lei, inclusive da requisição civil. O que é isso de por militares a substituir trabalhadores em greve? É uma coisa nunca vista”, disse.

Gil Garcia destaca também que devem ser feitas no país reformas ao nível da saúde, opressões e ambiente.

Para a saúde, o MAS quer um reforço das verbas do Orçamento do Estado para o SNS e, no âmbito do problema dos oprimidos, considerou “escabroso” o número de mulheres assassinadas em Portugal, defendendo uma alteração da moldura penal para os crimes de violência doméstica.

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