“Se o PS ficar de mãos livres corremos o risco do retrocesso”, alerta Jerónimo de Sousa

  • ECO
  • 11 Setembro 2019

CDU defende que na próxima legislatura "é possível, necessário e exequível" que salário mínimo suba para 850 euros. Uma meta que, diz, "não pode ficar para o dia de São Nunca à tarde".

Para Jerónimo de Sousa, caso o Partido Socialista consiga a maioria absoluta nas Legislativas de 6 de outubro, Portugal ficará em risco de atravessar uma nova fase de retrocesso, tanto no plano laboral, como no próprio processo democrático. Em entrevista à Renascença, o secretário-geral do PCP defendeu que está na hora de se desenhar um plano no máximo a quatro anos para elevar o salário mínimo até aos 850 euros, recusou qualquer tipo de alinhamento com o PSD e manifestou-se disponível para apoiar um Governo minoritário dos socialistas em “tudo o que for bom para os trabalhadores, povo e país”.

Se o PS ficar de mãos livres há sinais claros que corremos o risco do retrocesso“, salientou o líder do PCP sobre a hipótese dos socialistas saírem das legislativas com maioria. Como exemplos aponta a reta final do Executivo, com a aprovação de medidas gravosas no plano do direito laboral“, como o alargamento do período experimental e a desregulamentação dos horários “com toda a precariedade que isso implica” para “as novas gerações de trabalhadores”. Mas o risco de retrocesso não se verifica apenas na legislação laboral.

O secretário-geral dos comunistas considera que um dos ganhos dos últimos quatro anos foi a recuperação da Assembleia da República enquanto centro do debate e das decisões governamentais, algo que se perderá caso António Costa tenha a maioria, diz. Porque nessas situações, a casa dos deputados portugueses torna-se num mero “cartório notarial do Governo”.

Já sobre o cenário em que o PS não consiga obter a maioria, Jerónimo de Sousa não se compromete em apoiar um Governo minoritário do PS, dizendo-se antes disponível para apoiar “tudo o que for bom para os trabalhadores, povo e país”, prometendo votar contra tudo o que considerar “negativo.

Como programa para os próximos quatro anos, o PCP irá defender o aumento gradual do salário mínimo até aos 850 euros, podendo este ser um dos temas onde Costa irá chocar de frente com os parceiros na geringonça. O primeiro-ministro já disse que o SMN será decidido em sede de concertação social, recusando tanto a ideia de subir a retribuição mínima para 650 euros já em janeiro ou de definir um objetivo concreto para a legislatura. Mas se o Governo quer erradicar a pobreza, então precisa de subir o SMN, defende o PCP.

“É uma proposta sustentada e credível. Na próxima legislatura é possível, necessário e exequível chegar aos 850 euros”, afirmou Jerónimo de Sousa à Renascença, sublinhando que esta é uma meta que “não pode ficar para o dia de São Nunca à tarde”. E rematou: “A valorização dos trabalhadores e dos salários é uma medida crucial. António Costa disse que queria erradicar a pobreza no nosso país e isso passa pela valorização dos trabalhadores e dos seus salários. Hoje existem trabalhadores que trabalham empobrecendo, todos os setores têm milhares que ganham 600 euros por mês.”

Só com melhores salários, será também possível combater a emigração, combater a desertificação e o défice demográfico e apoiar os jovens a constituir família, salientou ainda.

Ao longo da entrevista, o secretário-geral do PCP criticou ainda o regresso do PSD à ideia de privatizar a Segurança Social, lembrando que a direita sempre aposta no “alarmismo” para tentar forçar esta ideia aos residentes em Portugal.

“Hoje a vida está a demonstrar quantos alarmismos não existiram no Governo anterior sobre a falência da Segurança Social. Quanto mais reposição de rendimentos e direitos, quanto mais emprego criado, mais força e sustentabilidade teve e tem a Segurança Social. Hoje existe uma segurança muito grande em relação ao futuro, tendo em conta o aumento das contribuições que resultam de mais emprego, mais postos de trabalho, dos respetivos descontos, a melhor defesa da Segurança Social é manter esta linha de valorização valorização dos salários e reposição de rendimentos.”

Para Jerónimo de Sousa, o que Rui Rio defende para a Segurança Social é uma “reforma que, no essencial, visa a privatização de segmentos da Segurança Social, particularmente das contribuições mais elevadas. Ou seja, o bife do lombo passaria para as mãos dos privados, o resto seria uma Segurança Social para os pobrezinhos“, criticou. E o PCP tem uma ideia bem clara do que quer para a Segurança Social: “Queremos uma Segurança Social universal e solidária.”

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

“Se o PS ficar de mãos livres corremos o risco do retrocesso”, alerta Jerónimo de Sousa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião