Como um ataque na Arábia Saudita pode fazer disparar o preço do petróleo no mundo todo

Arábia Saudita vai enviar para o mercado o equivalente da produção diária das suas reservas. EUA vão fazer o mesmo, tentando evitar a subida dos preços. Petróleo está a 60 dólares.

Não foi o primeiro, nem o segundo ou terceiro. Foi o quinto ataque às instalações petrolíferas daquela que é a maior companhia petrolífera do mundo, a Saudi Aramco. Mas desta vez, os estragos provocados com drones foram brutais. Imagens de satélite mostram nuvens de fumo provocadas pelos incêndios de grandes dimensões que deflagraram. Incêndios que vão obrigar à paragem de boa parte do fornecimento da matéria-prima por parte da Arábia Saudita para todo o mundo. E todo o mundo vai sentir os efeitos destas explosões através da subida das cotações nos mercados.

De um momento para o outro, metade da produção diária de petróleo da Arábia Saudita ficou comprometida. O ataque provocou extensos danos, eliminando cerca de cinco milhões de barris de petróleo diários à oferta do reino, o maior produtor do mundo. São cinco milhões de barris de um total de 20 milhões de barris que os produtores da matéria-prima colocam diariamente no mercado, de forma a dar resposta à procura global pelo “ouro negro”.

É um rombo na oferta que a Arábia Saudita procura suprir ao admitir enviar para o mercado o equivalente da produção diária das suas reservas da matéria-prima. Poderá responder à quebra com as reservas que detém tanto no reino como as que tem no Egito, Japão e até na Holanda, mas não pode não chegar, daí que os próprios Estados Unidos da América, em segundo no ranking da produção de petróleo, estejam já no “terreno”.

Enquanto prossegue um “apontar de dedo” ao Irão como sendo o responsável pelos ataques, o Departamento de Energia norte-americano, além de dizer que está preparado para recorrer aos recursos das Reservas Estratégicas de Petróleo (de 630 milhões de barris) para compensar quaisquer interrupções no mercado, deu já orientações para se trabalhar com a Agência Internacional de Energia (AIE) para avaliar possíveis opções para uma ação global coletiva se for necessário.

Estas movimentações demonstram a importância das instalações situadas em Abqaiq e Khurais no normal abastecimento do mercado mundial de petróleo. E são reveladoras do interesse tanto da Arábia Saudita como dos EUA manterem o preço do petróleo em torno dos níveis atuais, os 60 dólares por barril. É que uma valorização expressiva das cotações poderá ter um impacto muito negativo na economia global, numa altura em que são cada vez maiores os receios em torno do abrandamento económico. A guerra comercial entre os EUA e a China está a castigar todo o mundo.

Será uma resposta suficientemente forte? Olhando para os esforços, o impacto nas cotações poderá, em teoria, ser limitado, já que efetivamente a oferta de petróleo poderá manter-se inalterada, sendo que o contexto é também de abrandamento no crescimento da procura pela matéria-prima. Na prática, há margem para que os preços subam.

Por um lado, porque os mercados tenderão a ressentir-se a uma quebra momentânea da oferta, levando à subida dos preços. Por outro, haverá a dúvida sobre quanto tempo será necessário até que as instalações afetadas poderão voltar a funcionar, restabelecendo novamente a oferta da matéria-prima. É que as reservas dos países são finitas.

Depois, há ainda a questão da segurança das instalações petrolíferas, especialmente as da Arábia Saudita, deverá passar a ser tida em conta como um risco, levando o mercado a incluir um prémio nas cotações do petróleo.

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