Juros da dívida portuguesa igualam os de Espanha após legislativas. Rating da DBRS ajuda

Recuo dos juros da dívida nacional surge no seguimento do resultado das legislativas em Portugal que aponta para a estabilidade governativa e no rescaldo da revisão em alta do rating pela DBRS.

Os juros da dívida portuguesa destacam-se pela positiva numa sessão marcada pela estabilização das yields europeias. Os juros nacionais aliviam após o resultado das legislativas em Portugal que apontam para a estabilidade governativa, com a vitória do Partido Socialista e no rescaldo ainda da revisão em alta do rating nacional por parte da DBRS. Taxa a dez anos nacional iguala já a par espanhola nos 0,13%.

Os juros das obrigações do Tesouro (OT) recuam na generalidade dos prazos, com a taxa a dez anos a negociar nos 0,13%, o valor mais baixo desde 3 de setembro. Registam assim uma queda de mais de 20 pontos base, face aos 0,148% da sessão de sexta-feira. Nas restantes maturidades, toda a dívida portuguesa até aos oito anos está com juros negativos, o que não acontecia há um mês, desde 4 de setembro.

O alívio registado pelas yields nacionais nesta segunda-feira acontece depois de o PS de António Costa, que sustenta o atual Governo, ter vencido as legislativas deste domingo, apesar de com maioria relativa, mas com uma nova “geringonça” já no horizonte que promete garantir a estabilidade governativa do país.

“O atual líder de Governo, o Partido Socialista, reforça assim a sua presença no Parlamento (com mais 20 deputados em comparação com 2015) e necessita agora de um menor número de partidos para ter maioria parlamentar“, sublinha o Bankinter numa nota de research, divulgada esta manhã.

Tendo em conta o resultado das eleições, o banco considera que os dois cenários mais prováveis são um acordo entre PS e Bloco de Esquerda, o que seria “uma solução aparentemente estável e menos complexa que a anterior coligação” porque o “PS dispensaria assim o apoio da CDU e do PAN”.

O segundo cenário é de um Governo minoritário PS, o que seria a “solução menos estável em termos políticos, mas que não descartamos que possa vir a ocorrer”, refere o Bankinter. Outros cenários menos prováveis seriam a criação de um bloco central (entre PS e PSD), um acordo com a CDU ou um acordo multipartidário, juntando ainda PAN e/ou Livre.

“Em todo o caso, pensamos que qualquer um dos dois cenários mais prováveis (acordo com BE ou governo minoritário) acabará por significar uma continuidade da estabilidade económica dos últimos anos, marcados por um crescimento económico robusto e pelo cumprimento das metas de Bruxelas (défice de 0,4% em 2018), não obstante a gradual reversão das medidas da austeridade”, acrescenta o Bankinter.

Juros a dez anos aliviam

Fonte: Reuters

As obrigações soberanas nacionais estão ainda a beneficiar da revisão em alta do rating nacional por parte da DBRS na passada sexta-feira. Seis meses depois de ter “aberto” a porta à revisão em alta da notação da dívida do país, e na véspera das eleições legislativas, a agência canadiana elevou a classificação nacional em um nível, colocando-a em “BBB (high)”, com uma perspetiva estável.

A dívida pública portuguesa ficou assim três níveis acima de “lixo” financeiro, com a DBRS a destacar “o esforço continuado de consolidação orçamental estrutural, que se traduz no equilíbrio das contas públicas e na redução sustentada do rácio da dívida pública face ao PIB”, e a dizer ainda que “Portugal está a tirar partido das condições favoráveis de mercado para melhorar o seu perfil de dívida e reduzir os encargos com juros”.

(Notícia atualizada às 15h17 com comentário e atualização das cotações)

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