Deco diz ser “injustificada” subida das comissões nas contas da CGD mais baratas

  • ECO
  • 10 Outubro 2019

A Deco receia que outros bancos sigam aumento de comissões do banco público. Não compreende subida nas contas mais baratas e descidas nas contas de clientes com mais rendimentos.

Injustificada e completamente desproporcionada“, foi desta forma que a Deco classificou a decisão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de agravar os custos das suas contas mais baratas, um dos serviços cujas comissões vão aumentar no banco público já a partir de janeiro.

Em declarações à Antena 1, a associação de defesa dos consumidores critica a decisão da CGD de alterar os seus preços, aumentando os encargos das contas mais baratas, ao mesmo tempo que reduz as comissões das contas de clientes com maior património.

“É lamentável esta decisão da Caixa Geral de Depósitos”, afirmou Nuno Rico, da Deco, àquela rádio, acrescentando que esta “é injustificada e completamente desproporcionada, porque por um lado temos um aumento de 14% dos custos da Conta S, que foi apresentada como uma alternativa com custos mais baixos e depois temos uma descida de 30% para os clientes que têm maior património financeiro”.

Em causa está a alteração ao preçário da CGD que entra em vigor no banco público em janeiro e que, entre as várias mexidas previstas, um dos principais alvos é a “conta pacote” mais barata.

Os clientes com a “Conta S” — a mais básica do banco — vão ver a respetiva mensalidade aumentar. Quem reúne condições para ter uma bonificação nesta conta, vê os respetivos encargos mensais subirem dos atuais 2,912 euros, para 3,328 euros, representando um encargo anual acrescido de cinco euros. Nas contas sem direito a bonificação, o encargo mensal passa dos atuais 4,16 euros, para 5,148 euros, com o encargo anual a crescer cerca de 12 euros.

No caso das “Contas M” e “Contas L” — mais abrangentes em termos dos serviços disponibilizados — não há qualquer alteração de preçário.

Entretanto, a CGD emitiu um comunicado em que, relativamente à “Conta S”, diz ser “uma conta pacote de adesão voluntária, que continua a ser a mais competitiva do mercado”. “O reforço da proposta de valor da conta, por solicitação dos nossos clientes, com correspondente aumento do número de serviços motivou, por parte da Caixa, um acréscimo de 40 cêntimos por mês para os clientes com bonificação (menos de 1,5 cêntimos por dia) e de 95 cêntimos por mês para os restantes clientes desta conta (menos de 3 cêntimos dia)”, acrescenta.

O banco público refere-se em específico ao facto de ter aumentado, em duas, o número de transferências incluídas nas suas contas “pacote”. A “Conta S”, passa a permitir quatro em vez das duas transferências mensais atualmente incluídas. Também a “Conta M” passa de três para cinco transferências por mês, enquanto a “Conta L” mantém-se com um número ilimitado de transferências.

 

Enquanto é agravado o custo da “conta pacote” mais barata, a Conta Caixa Azul destinada a clientes com mais recursos beneficia, contudo, de um alívio de encargos. A comissão de manutenção desta conta nos casos em que há direito a bonificação, baixo dos atuais 7,28 euros mensais, para 5,20 euros. Mas para isso, para além da domiciliação de rendimentos, passa a exigir ainda duas ou mais autorizações de débito na conta associada. Para as restantes contas Caixa Azul mantêm-se os encargos atualmente em vigor.

“Não conseguimos entender esta decisão”, declarou o responsável da Deco. Nuno Rico admite ainda que outros bancos poderão seguir as pisadas da Caixa. “Quando um aumenta, depois temos um conjunto de outros bancos a seguir”, explica o economista.

(Notícia atualizada às 12h44 com reação da CGD)

Comentários ({{ total }})

Deco diz ser “injustificada” subida das comissões nas contas da CGD mais baratas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião