Costa vai “cumprir mandato, mas ambiente é mais instável”. Terá oposição dos dois lados

Luís Marques Mendes considera que "ninguém pode estar muito satisfeito com os resultados das legisltativas". Costa vai cumprir os quatro anos, mas o "ambiente é mais instável".

O PS venceu as legislativas, mas sem maioria. Procurou acordos à esquerda, mas acabou por decidir fazer uma governação à vista, negociando caso a caso, no Parlamento. Marques Mendes acredita que António Costa será capaz de cumprir os quatro anos do mandato, mas alerta que o “ambiente será muito mais instável”. Vai, diz o comentador, acabar por ser um Governo de “serviços mínimos”.

António Costa terá “piores condições para governar. Ganhou, mas a condições no plano politico e económico não são boas”, afirmou Luís Marques Mendes no habitual espaço de comentário no Jornal da Noite da SIC.

Costa “vai cumprir o mandato de quatro anos, mas o ambiente é mais instável. Não tem um bloco certo no Parlamento”. E vai governar num “quadro de menos economia. Não é recessão, mas há abrandamento. Tem menos dinheiro para distribuir”.

"[Costa terá] piores condições para governar. Ganhou, mas a condições no plano politico e económico não são boas.”

Marques Mendes

Para Marques Mendes, o novo Governo enfrentará também “mais agitação social”. Costa, lembrou, “teve três anos de folga social. Agora, o PCP vai querer contestar nas ruas”, disse, salientando que “Costa só tinha oposição à direita. Agora, vai ter duas, uma à esquerda e outra à direita”.

Além de tudo isto, o novo Governo vai ter também menor apoio do Presidente da República. “Marcelo [Rebelo de Sousa] foi alguém muito colaborante. Não vai passar a crítico, mas vai ter de ser mais distante. Por causa do episódio de Tancos, mas sobretudo porque o Governo não é tão abrangente”, diz. O Presidente terá, por tudo isto, ter de ser “mais distante”.

Esquerda mais forte? Nem por isso

O PS saiu reforçado, isto quando o Bloco de Esquerda manteve a representação no Parlamento. O PCP, com a CDU, acabou por ser penalizado nas urnas a 6 de outubro. Com esta nova conjugação parlamentar, a esquerda poderá estar mais forte? “Não me parece”, diz Marques Mendes, apontando vários desafios para os partidos de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa.

PCP e BE terão várias dificuldades. “Sem geringonça, voltam ao estado anterior. Não é bom para o seu estatuto”, sendo que depois há as autárquicas, em que ambos os partidos terão uma vida difícil. O Bloco não tem poder nas autarquias. O PCP está em perda. Perdeu várias para o PS”.

Mas depois há ainda aquela que Marques Mendes considera ser a questão nuclear: derrubar o Governo. “Vão ter dificuldade. Só se PCP e BE juntarem todos os votos PSD e CDS para o fazerem. Isto leva ao fantasma do PEC 4”, no Governo de José Sócrates.

Direita vai estar sujeita a “chantagens” no Parlamento

Se a esquerda terá uma vida difícil ao longo dos próximos quatro anos, para a direita a perspetiva de Marques Mendes para a direita não é muito melhor, isto numa altura em que tanto PSD como CDS têm de “resolver crises internas” — sendo que no caso do PSD, Mendes acredita que Rio se recandidate contra Montenegro e outros potenciais candidatos à liderança do partido.

“Vão ser sujeitos a chantagens no parlamento. E quando a oposição tem de viabilizar um Orçamento do Estado… isso não lhes dá credibilidade”, nota o comentador, no Jornal da Noite da SIC.

“Outra dificuldade é estarem quatro anos na oposição… No PSD nunca houve um líder na oposição que aguentasse os quatro anos“, remata.

Governo de “serviços mínimos”

A grande conclusão de Marques Mendes é a de que “ninguém pode estar muito satisfeito com os resultados das legislativas”, nem os partidos, nem o próprio país. “Para o país também não é fantástico, É um tempo de instabilidade. Guerra comercial, Brexit, abrandamento da economia, precisávamos de ter um ambiente político mais forte”.

E os portugueses também não ficarão muito satisfeitos com o Governo que António Costa está a montar. Costa sinalizou que ia ficar quase na mesma. Não é um novo governo, antes uma remodelação. Alguns secretários de Estado que passam a ministros. E ministros dos Negócios Estrangeiros e das Finanças passam a ministros de Estado”.

As pessoas gostavam de ter um governo novo. Caras novas, almas novas”. “Precisa substituir ministros. Há ministros cansados, esgotados. Vai promover secretários de Estado. Não podem ser muitos. Dá imagem de circuito fechado”. Em suma, há o risco de ser um “Governo de serviços mínimos. Grandes decisões? O melhor é colocar de lado essas expectativas”, remata.

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