Prestações da casa baixam para novo mínimo de sempre em novembro

Revisões dos créditos à habitação trazem cortes na taxa de juro entre 0,71% e 2,2%. Contratos com os indexantes com prazos mais dilatados são os mais beneficiados.

Novembro traz novas poupanças para muitas famílias com crédito à habitação. Os empréstimos da casa cujas taxas sejam revistas nesse mês vão ditar a prestação mais baixa de sempre.

As revisões de novembro trazem prestações mais baixas para todos os empréstimos da casa independentemente do indexante associado: Euribor a 3, 6 ou 12 meses. As reduções nos encargos mensais vão dos 0,71% aos 2,2%.

Os empréstimos indexados à Euribor a 3 meses vão sentir a menor quebra de encargos, já que são também aqueles cujas taxas são revistas em intervalos de tempo mais curtos. Para esses créditos o corte será de 0,71% face à última revisão efetuada em agosto.

Considerando o cenário de um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, as famílias cujos contratos estejam associados a este indexante veem assim a prestação descer 2,17 euros, passando dos 305,15 euros para 302,98 euros. Ou seja, para o valor mais baixo de sempre.

Evolução da Euribor a 3 meses em 2019

Fonte: Reuters

As famílias cujos empréstimos estão associados a indexantes com prazos mais dilatados também vão ver os respetivos encargos mensais baixar para novos mínimos históricos, com o corte nas prestações a ser o mais acentuado em mais de três anos.

No caso dos empréstimos indexados à Euribor a 6 meses a redução será de 1,9%, a maior desde a revisão feita em maio de 2016. A prestação mensal fixa-se nos 305,24 euros, 5,9 euros abaixo dos 311,14 euros que vigoraram ao longo dos últimos seis meses.

Já as famílias com crédito associado à Euribor a 12 meses sentem o maior corte de prestação desde a revisão de novembro de 2015: 2,2%. Assumindo o mesmo cenário base, tal repercute-se numa redução de 6,83 euros na prestação da casa que passa a fixar-se nos 307,78 euros ao longo do próximo ano.

Mercado vê juros negativos na casa pelo menos até junho de 2024

O rumo das prestações da casa continua assim a refletir os níveis historicamente baixos dos juros de referência da Zona Euro. Os três indexantes usados no grosso dos empréstimos para a compra de casa em Portugal fixaram novos mínimos de sempre entre o final de agosto e o início de setembro, estando atualmente menos negativos, mas próximos desses níveis.

Tudo aponta para que o rumo das Euribor continue a jogar em favor do bolso dos portugueses que recorreram ao financiamento bancário para comprar casa. Os futuros para a Euribor a 3 meses apontam para que, pelo menos até setembro de 2024, esse indexante se mantenha em terreno negativo.

Na última reunião do conselho de governadores do BCE, a entidade responsável pela política monetária da Zona Euro disse esperar que “as taxas de juro diretoras do BCE se mantenham nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que as perspetivas de inflação estão a convergir de forma robusta no sentido de um nível suficientemente próximo, mas abaixo, de 2%”.

Os números da inflação na Zona Euro ainda estão muito longe desta fasquia. Os últimos dados do Eurostat mostram que, em setembro, a inflação homóloga no espaço do euro fixou-se nos 0,8%.

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