Assistente tecnológico vai ajudar idosos do Alentejo e da Estremadura espanhola

  • Lusa
  • 6 Novembro 2019

O dispositivo, para já, serve para "avisar os utilizadores de que têm de tomar a medicação e de que têm consultas médicas", tendo em conta que os idosos "normalmente são pessoas polimedicadas".

Idosos do Alentejo e da Estremadura espanhola vão poder comunicar com um “assistente pessoal”, através de um pequeno dispositivo tecnológico, para os recordar sobre a medicação a tomar e consultas agendadas, devido a um projeto transfronteiriço.

“É um protótipo, [mas] estamos a submetê-lo ao Comité Ético para começar a fazer ensaios com idosos fora do laboratório”, revela à agência Lusa José Manuel García Alonso, professor da Universidade da Estremadura, na cidade raiana de Badajoz (Espanha).

Caso seja aprovado, realça, o assistente de voz vai ficar “em casa de pessoas na Estremadura e no Alentejo” para a realização de ensaios em “ambiente real”, talvez “em princípios de 2020, em janeiro ou fevereiro”.

Esta foi uma das soluções desenvolvidas pelo Instituto Internacional de Investigação e Inovação do Envelhecimento (4ie), que envolve as universidades de Évora e da Estremadura e os politécnicos de Portalegre e Beja, além da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.

A primeira fase do projeto, que termina em dezembro, contou com um financiamento de cerca de 1,2 milhões de euros proveniente da União Europeia, no âmbito do Programa Europeu de Cooperação Transfronteiriça INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP), estando já prevista uma segunda fase que vai prolongar os trabalhos até 2021.

Também em declarações à Lusa, o coordenador do 4ie, Manuel Lopes, afirma que o projeto tem como foco o envelhecimento, que é “uma das características mais importantes” das duas regiões, e “tudo o que lhe está associado”, nomeadamente “a necessidade de cuidados”.

A iniciativa, refere, conta com “uma equipa vasta multidisciplinar e trabalha com vários subprojetos em simultâneo“, abrangendo as áreas das políticas públicas, dos modelos de cuidados e do desenvolvimento de dispositivos tecnológicos.

Quanto ao assistente de voz, nota José Manuel García Alonso, “não necessita de conexão à Internet” e “a comunicação que os idosos mantêm com o dispositivo processa-se no próprio dispositivo, não se envia a nenhum servidor de nenhuma empresa”.

Segundo o responsável, o dispositivo, para já, serve para “avisar os utilizadores de que têm de tomar a medicação e de que têm consultas médicas”, tendo em conta que os idosos “normalmente são pessoas polimedicadas” e “têm de tomar diversos comprimidos diariamente, com diferentes doses”.

“Além de emitir avisos sobre a medicação e de recordar os nomes dos medicamentos, que às vezes são complexos, o que podemos fazer é atribuir sinónimos a cada medicamento que sirvam para que essa pessoa consiga identificar corretamente que medicação é que tem de tomar, como a cor do comprimido, cor da caixa, onde a tem guardada, esse tipo de coisas que facilitam a tarefa”, sublinha.

O assistente, salienta, “permite também fazer o seguimento e o registo da toma de medicação para tentar melhorar o processo”, porque “os idosos tomam os medicamentos de forma adequada e nas doses que estão prescritas”.

García Alonso adianta que foi também desenvolvida uma plataforma de avaliação multidimensional da funcionalidade dos idosos, que permite “definir que capacidades tem um idoso, se se pode lavar ou vestir sozinho, se pode cozinhar e também a nível intelectual”.

“O que fizemos foi integrar tudo isto numa plataforma simplificada para os cuidadores de forma a que seja muito fácil proporcionar essa informação e poder ir acompanhando e dando seguimento a essa informação”, observa.

Essa plataforma pode também integrar de forma automática a informação proveniente de dispositivos tecnológicos, como pulseiras, que medem os passos, ou balanças inteligentes, que dizem a percentagem de gordura corporal.

De acordo com o coordenador do 4ie, Manuel Lopes, um outro instrumento desenvolvido no âmbito do projeto é uma aplicação para telemóveis inteligentes que permite avaliar o tipo de alimentação de uma determinada pessoa.

“Se fotografar [através da aplicação] o conteúdo do frigorífico, do prato ou de uma mesa posta, desse modo, por essa via, conseguimos compreender os hábitos alimentares, mas inclusivamente o tipo de alimentação e a quantidade de proteínas e de hidratos de carbono que aquela pessoa consome”, conta.

O também professor da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus da Universidade de Évora (UÉ) revela que um novo sistema de informação, criado no âmbito do projeto, “totalmente inovador” e que “não está testado em lado nenhum”, vai ser testado no Hospital do Espírito Santo de Évora.

“É um plano individual de cuidados que permite que o planeamento de cuidados seja feito de forma integrada entre todos os cuidadores e que acompanha o doente para onde quer que ele vá. Ou seja, não interessa se ele está no hospital, se está nos cuidados de saúde primários ou se ele está em casa”, adianta.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Assistente tecnológico vai ajudar idosos do Alentejo e da Estremadura espanhola

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião