Jean-Claude Trichet quer um ministro das Finanças para o euro

Em Lisboa, o antigo presidente do BCE diz que a Europa precisa de um ministro das Finanças e que as regras orçamentais criadas durante a crise não devem ser descartadas.

O antigo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, quer ressuscitar a discussão sobre a criação de um ministro das Finanças para o euro, entendendo que o Eurogrupo e a Comissão Europeia não são suficientes para gerir as questões relacionadas com a moeda única. O francês, antecessor de Mario Draghi, advertiu ainda os países para terem cuidado na sua intenção de mudarem as regras orçamentais, reforçadas durante a crise precisamente para evitar novas crises como a da Grécia.

“Sou a favor de um ministro das Finanças da Zona Euro”, disse o antigo líder do BCE numa conferência promovida pelo Banco de Portugal em Lisboa. “Não podemos contar apenas com um ministro ser simultaneamente o presidente do Eurogrupo, porque tem dois trabalhos e não é assim tão fácil um ministro que representa os interesses do seu país” ter um papel de imparcialidade e tempo para lidar com as questões europeias, sublinha o francês.

Jean-Claude Trichet admite que é uma questão “muito difícil”, mas entende que este caminho tem de continuar a ser feito, especialmente se os países do euro quiserem que os princípios da governação económica sejam respeitados, e assim, se evitam que sejam criadas as condições para novas crises, como aconteceu no período que antecedeu 2010.

O antigo líder do BCE aproveitou também para lançar um aviso aos decisores europeus sobre as regras orçamentais europeias. Depois de muita pressão de um grupo de países, entre eles Itália e Portugal, a próxima Comissão Europeia tem no seu programa uma revisão das regras — que tem a oposição da linha dura do Eurogrupo, como a Alemanha. Trichet diz que já ouviu esta conversa, várias vezes, nos anos que antecederam a crise, inclusivamente em 2010, e que não é boa ideia.

“O Pacto de Estabilidade e Crescimento tem alguns constrangimentos, mas também margem de manobra. Em alguns países, as regras nacionais até são muito mais restritivas que as regras do PEC. (…) O que aconteceu no passado, pode acontecer no futuro. Podemos ter uma nova crise“, avisou Jean-Claude Trichet.

Por isso, disse, as alterações que foram feitas nos anos que se seguiram ao resgate da Grécia, com a introdução do pacto orçamental e a criação semestre europeu, “não devem ser postas de lado”.

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