Cinco argumentos para a Fitch não subir o rating de Portugal

A Fitch manteve o rating de Portugal em 'BBB', com outlook "positivo". Há algumas fragilidades da economia portuguesa que impediram a subida do rating.

A Fitch decidiu não mexer no rating de Portugal. Manteve-o em ‘BBB’, o segundo nível de grau de investimento, bem como o outlook positivo, apesar de salientar alguns pontos positivos na avaliação do país. Nomeadamente, os progressos nas finanças públicas, e a expectativa de continuidade de melhorias a nível de políticas económicas e orçamentais. Mas há fatores ainda a pesarem contra uma eventual melhoria do rating português, que permitiria colocar o país no patamar “A”.cinco argumentos que podem ajudar a justificar a decisão da agência de notação financeira

1 – Elevado endividamento público

Apesar de reconhecer os progressos que têm sido feitos no que respeita à dívida pública, a Fitch considera que este ainda é um ‘calcanhar de Aquiles’ de Portugal. “Os principais indicadores orçamentais continuam a melhorar, mas a dívida pública mantém-se elevada“, diz a agência norte-americana, que reconhece ainda assim que a “sustentabilidade da dívida melhorou”

2 – Baixo potencial de crescimento de médio prazo

Contra uma melhoria de avaliação, a Fitch também salienta “o baixo potencial de crescimento a médio prazo” de Portugal. As suas estimativas apontam para que a economia portuguesa cresça 1,9% em 2019, antecipando para 2020 e 2021 um crescimento real do PIB de 1,7% e 1,9%, respetivamente. “Isto compara com uma previsão média de crescimento de 3% para os pares classificados como ‘BBB'”, diz.

3 – Falta de Orçamento final para 2020

Cerca de um depois do início da nova legislatura, não há ainda um Orçamento para o próximo ano, um facto que a Fitch considera jogar contra Portugal. “A ausência de um Orçamento final para 2020 (ainda em fase de draft) deixa alguma incerteza relativamente às medidas“, que o Executivo pretende vir a adotar, diz a agência de rating, referindo-se em concreto à ambição de atingir o equilíbrio orçamental no final de 2020, bem como excedentes de cerca de 3% do PIB nos próximos quatro anos, e dívida pública de 100% do PIB em 2023.

4 – Fragilidades do setor financeiro

A Fitch destaca o facto de as melhorias de balanço dos bancos continuarem, mas lembra que os NPL (non-performing loans) “são mais do dobro do rácio médio de NPL da UE de 3%. Mas alerta também para que “o outlook de taxas de juro baixas e a elevada competição do setor bancário representa um ambiente desafiante para a rentabilidade dos bancos“.

5 – Vulnerabilidade a choques externos

“As finanças externas de Portugal são mais fracas do que a maioria dos soberanos com rating ‘BBB‘”, lembra a agência de notação financeira. Acrescenta que “a economia altamente aberta de Portugal a deixa vulnerável a choques externos” e que ” impacto do fraco crescimento da Zona do Euro deve levar a balança corrente a um défice de 0,5% do PIB em 2019, após seis anos consecutivos de superávites modestos”. A expectativa da Fitch vai no sentido de um alargamento do défice da balança corrente para 0,7% e 1,2% do PIB, respetivamente, em 2020 e 2012. ” A dívida externa líquida/PIB em 90,9% do PIB (segundo trimestre em 2019) permanecerá alta, comparativamente com a mediana atual dos pares classificados na categoria ‘BBB’ em 8,8% no final de 2018″.

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