Carlos Costa pede à banca para ser “mais ambiciosa” na redução do malparado

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, salientou o progresso feito pelos bancos na redução de ativos não produtivos nos últimos anos. Mas pede ao setor para ser mais ambicioso.

Money Conference/EY - 22NOV19
Carlos Costa na Money Conference.Hugo Amaral/ECO

Carlos Costa salientou os progressos feitos pelos bancos portugueses na redução dos ativos não produtivos nos últimos anos. Mas o governador do Banco de Portugal diz que os banqueiros devem ser “mais ambiciosos” neste esforço pois é um fator que condiciona o interesse do mercado e dos investidores.

“Subsistem enormes desafios para o setor num contexto de crescimento moderado nos próximos anos, de baixas taxa de juro e de endividamento dos agentes”, começou por dizer Carlos Costa na Money Conference, conferência organizada pelo Dinheiro Vivo e TSF, e onde participam os líderes dos principais bancos portugueses: Paulo Macedo (CGD), Miguel Maya (BCP), António Ramalho (Novo Banco), Pedro Castro e Almeida (Santander Totta) e Pablo Forero (BPI).

“Os bancos têm de continuar a reduzir ativos não produtivos de acordo com os planos submetidos aos reguladores. Diria que terão de ser mais ambiciosos, não obstante o progresso feito desde 2016″, acrescentou logo depois.

Carlos Costa diz que não ignora o esforço que foi feito, mas lembrou que o rácio de malparado dos bancos portugueses continua a ser um dos mais elevados da Zona Euro.

Segundo o governador, o elevado nível de ativos problemáticos nos balanços dos bancos constitui uma “fator que condiciona muito o mercado, o interesse dos investidores e de outros bancos se relacionarem, designadamente no mercado interbancários”.

Por isso, Carlos Costa pede um último forcing à banca. “A última milha é decisiva para obter resultados e retorno da confiança dos investidores e do mercado e retorno da rentabilidade”, disse.

Atenção à dívida pública e às comissões

Foram vários os avisos deixados pelo governador. Um deles em relação à diversificação da carteira de ativos dos bancos, muito preenchida por dívida pública. Outro foi em relação à política de comissões, numa altura em que o supervisor está a avaliar um pedido do setor para que se cobrem comissões nos depósitos de grandes clientes institucionais.

Quanto ao primeiro ponto, Carlos Costa diz que será “necessário ter em conta que num contexto de uma redução generalizada de yields dos soberanos – que se situam em níveis excecionalmente baixos – se acentua a possibilidade de uma reavaliação dos prémios de risco e uma maior discriminação dos soberanos”.

Tal significa que é desejável uma diversificação das carteiras em termos de emitentes e uma redução da correlação dos perfis de riscos dos mesmos. Imperativo que é tanto maior quanto o ajustamento das carteiras possa ser facilmente absorvido pelo mercado sem afetar os emitentes. Por outro lado a diversificação de carteiras permite antecipar eventuais desenvolvimentos regulatórios”, disse Carlos Costa.

Sobre as comissões, o governador afirmou que “a questão é se o pricing reflete o serviço prestado ou se há subsidiação cruzada com agentes económicos a pagarem mais do que deviam e outros a pagarem menos”. Segundo o responsável máximo do supervisor e regulador bancário, “cabe ao sistema bancário assegurar a transparência e um pricing adequado ao serviço que presta”.

(Notícia atualizada às 10h29)

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