CIP responde a Santos Silva: “Ficamos a saber o que pensa das empresas nacionais”

O presidente da CIP afirma que as críticas de Santos Silva aos empresários dizem muito "da forma como cumpre no exterior a missão que o país lhe confiou" como ministro dos Negócios Estrangeiros.

Menos de 48 horas depois de Augusto Santos Silva afirmar que um dos principais problemas das empresas em Portugal “é a fraquíssima qualidade da gestão”, António Saraiva, presidente da CIP, deu a resposta: “Ficámos assim a saber qual a imagem que um dos mais importantes elementos do Governo tem das empresas e empresários nacionais. A perceção confessada diz muito da forma como cumpre no exterior a missão que o país lhe confiou. Promover o investimento externo no país e denegrir injustamente a imagem de empresários e empresas portuguesas não me parece ser exatamente aquilo que se entende como a nobre missão de defesa do interesse nacional”.

Afinal, o que disse Santos Silva? Qual é um dos principais problemas das empresas portuguesas? É “a fraquíssima qualidade da sua gestão”. E não só. Não percebem o que está em causa, diz o ministro, e até disse que se pode “esperar sentado” se se supõe que o atual tecido industrial português “é capaz, por si só, de perceber a vantagem em trazer inovação para o seu seio e a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados”. “É preciso mudar o tecido industrial”, vincou.

Este discurso, muito pouco diplomático, contraria o que o Governo, a várias vozes, diz tantas vezes em conferências de empresas e empresários. E António Saraiva recordou isso mesmo: “É de tal modo insofismável a verdade dos fatos que comprovam que o milagre económico do país se deve essencialmente às empresas e aos empresários portugueses, esse mesmo milagre de que o Governo que Augusto Santos Silva faz parte tanto gosta de se gabar, aqui e além-mar, que as afirmações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros só podem ser entendidas por terem sido ditas por alguém que, vivendo fechado em ambientes palacianos, há muito que não sai à rua para ver como o mundo lá fora gira e avança”.

A CIP reconhece os problemas de qualificações que ainda subsistem na gestão das empresas portuguesas, e por isso tem lançado programas de formação a nível empresarial, mas também lembra a carreira do próprio ministro enquanto governante. “Não podemos é consentir que aquele que maiores responsabilidades tem na promoção e defesa dos interesses de Portugal seja aquele que mais destrata as empresas e empresários que arrancaram, com o povo português, o Estado da falência em que a fraquíssima administração política de sucessivos governos nos deixaram…. alguns de que o próprio Augusto Santo Silva fez parte“. Como o Governo de José Sócrates, que levou o país à bancarrota.

“Não quero acreditar que estas afirmações resultem de um sectarismo ideológico incapaz de reconhecer méritos e competências à iniciativa privada”, escreve António Saraiva.

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