Waterdrop foi a insurtech chinesa em destaque em 2019

  • ECO Seguros
  • 24 Janeiro 2020

O investimento em fintech e insurtech cresceu exponencialmente nos últimos cinco anos na China. Entre tecnológicas vocacionadas para seguros a Waterdrop foi destaque em 2019, por bons e maus motivos.

A Waterdrop (‘shuidihuzu’ como é denominada localmente) é uma plataforma que utiliza canais digitais para vender seguros e promover campanhas de crowdfunding com o objetivo de melhorar o acesso a serviços de saúde. Lançada em maio de 2016, esta plataforma P2P reunia cerca de 80 milhões de utilizadores na reta final de 2019.

Começando pelos aspetos menos positivos, depois de ter sido a ‘estrela’ entre as insurtech (tecnológicas vocacionadas para os seguros) que mais dinheiro levantaram em rondas de financiamento na China, a empresa foi protagonista de um escândalo relacionado com irregularidades cometidas por funcionários.

Uma investigação encoberta de media locais revelou que alguns funcionários da Waterdrop destacados em ações no terreno não cumpriam procedimentos na recolha de dados junto de potenciais beneficiários, manipulando registos para facilitar objetivos contratuais da plataforma. Em consequência, Shen Peng, um empreendedor de 32 anos e fundador da insurtech, reconheceu as irregularidades, apresentou um pedido de desculpas público, suspendeu a equipa em causa e prometeu um inquérito interno.
Este abalo na notoriedade da jovem empresa aconteceu no final do ano. Cerca de seis meses antes, a Waterdrop tinha protagonizado um feito histórico junto de investidores (ver adiante).

Ciclo de reformas na assistência à saúde e no setor de banca e seguros

Dados do comité central do PC Chinês (CPP na sigla internacional) confirmam que a proporção de famílias afetadas pela pobreza devido a doenças e incapacidades é atualmente de 44%, com maior incidência nas zonas rurais.

Outras fontes referem que a taxa de penetração de seguros (rácio entre volume de prémios de seguro e o PIB) na China não atingia os 5% em 2017 (a Índia tem uma taxa semelhante). Já a análise de vendas de apólices por plataformas digitais em 2018 aponta uma taxa de penetração 27% em (nº de segurados por canais online pelo total de utilizadores de internet), contra 8% em 2013.

Informações divulgadas em novembro de 2019 por um grupo de trabalho do comité central do CPP criado para resolver problemas como o acesso a cuidados médicos, revelam que a China vai acelerar um novo ciclo de reformas para implementar um sistema de seguro de saúde que cubra toda a população de forma mais eficiente.

Neste sentido, uma diretriz recente das autoridades de Beijing indica que, até 2025, a China deverá contar com um sistema bancário e seguro com melhor estrutura financeira e múltiplos níveis, ampla cobertura e grande diversidade, dependendo da própria Comissão de Supervisão ​​de Bancos e Seguros da China (CCBA).

A reforma visa otimizar o atual sistema básico de seguro de saúde, que cobre 95% da população, e procurará complementá-lo com outras formas de seguro de saúde, incluindo o seguro de saúde comercial, um sistema assistência médica e doações médicas de caridade.

Waterdrop faz ronda recorde entre insurtechs do país

Em 2019, as dez maiores fintech chinesas levantaram, em conjunto, 2,2 mil milhões de dólares. Entre tecnológicas direccionadas para a atividade seguradora, a insurtech que mais dinheiro captou foi a Waterdrop. A plataforma de seguros que se tornou popular na facilitação o acesso a cuidados médicos para doentes com patologias consideradas graves, recolheu o equivalente a 144,6 milhões de dólares numa ronda (de série C) liderada pela Tencent e outros três investidores públicos e privados.

As soluções para o segmento ‘pagamentos e remessas’ dominam o ecossistema chinês de inovação tech, sendo também o que mais dinheiro capta no fintech local, seguindo-se a startups do setor imobiliário. Entre as maiores locais, a Ant Financial (dona da plataforma Alipay, considerada a maior do mundo na prestação de serviços de pagamentos online) levantou um total de 22 mil milhões de dólares no período analisado.

A segunda fintech chinesa com mais recursos levantados junto de investidores desde 2015 é a JD Digits, com 5 mil milhões de dólares.

Investimento em fintech recua para mínimo de cinco anos

O investimento em empresas que propõem aportar tecnologia ao setor financeiro caiu 90% na China em 2019, face ao ano anterior, com os recursos disponibilizados a descerem até mínimos dos últimos cinco anos.

O total investido no setor das fintech ao longo do ano passado ascendeu a 3,3 mil milhões de dólares no país, montante que compara com os 32,8 mil milhões no ano anterior, colocando 2019 como o ano mais fraco desde 2015. O número de operações também decresceu para 147 transações, menos de metade do que as 303 no ano precedente, revelam dados compilados pela Fintech Global.

Apesar do declínio registado, o setor recolheu 63 mil milhões de dólares no acumulado de 2015 a 2019, num total de 750 transações. Entre 2015 e o final de 2018, o investimento cresceu a uma taxa média anual composta (CAGR) próxima de 85%, uma variação explicada sobretudo por uma ronda (série C) em que a Ant Financial levantou 14 mil milhões de dólares em capital, protagonizando o maior financiamento de sempre no mundo para uma única ronda.

No que respeita ao investimento de incumbentes, fontes especializadas indicam que a Ping An (maior grupo de seguros na China) é, em termos globais, a gigante que mais investe em startups do segmento insurtech, posicionando-se à frente de qualquer outro player de mercados emergentes.

Um relatório divulgado pelo instituto de estudos da Swiss RE, em 2018, adiantava que o volume de prémios de seguro na China quadruplicará até 2032, alcançando os 2,36 biliões de dólares (trillions na terminologia anglo-saxónica), contra 575 mil milhões de dólares estimados para 2018.

Em 2017, as seguradoras estrangeiras eram responsáveis por cerca de 6% dos prémios de seguro no mercado chinês. Com uma alteração legislativa em vigor desde 2018, os investidores estrangeiros ficaram possibilitados de aumentar as participações acionistas (em companhias do ramo vida) até 51% do capital social. Espera-se que, a partir de 2021, este limite desapareça.

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