Espanhóis da Incus têm 600 milhões para investir em imobiliário. “Já temos vários projetos na mira”

A empresa de crédito de risco está em Portugal desde 2012 e, agora, lançou um fundo com 600 milhões de euros para investir no imobiliário de Portugal e Espanha.

Vieram de Espanha para o mercado nacional há sete anos e, desde então, já investiram muitos milhões de euros em empréstimos e no imobiliário. Os espanhóis da Incus Capital concedem financiamento a quem quer investir e dizem oferecer melhores condições do que os bancos. O foco agora é o imobiliário e, para isso, lançaram um fundo com 600 milhões de euros para investir no setor.

Investimos em empréstimos ou obrigações e em projetos em que acreditámos. Somos contactados por equipas e investidores, com ideias muito claras em relação aos projetos que querem levar a cabo, e nós alocamos capital a esses bons projetos”, explica ao ECO Tiago Brandão, responsável da Incus em Portugal.

Tiago Brandão, Portugal country manager da Incus Capital PartnersRita Neto/ECO

Desde 2012, ano em que entraram em território nacional, o balanço tem sido “bastante positivo”, mas agora é altura de novas apostas: o mercado imobiliário. Para isso, a empresa criou o Incus Senior Real Estate Credit Fund I, um fundo com 600 milhões de euros “para operações especificamente em imobiliário” na Península Ibérica. O primeiro negócio já aconteceu, em Madrid, avaliado em cerca de 30 milhões de euros.

Não temos nenhuma restrição nem nenhum limite de concentração para investir em Portugal. Se aparecerem muito boas operações, poderemos alocar grande parte desse capital cá”, detalhou o country manager, ressalvando que, para a empresa, Portugal é “extremamente importante”.

Mercado de escritórios e residencial. Projetos até 100 milhões

E, dentro do imobiliário, o foco já está definido e já há, inclusive, vários projetos na mira. “Estamos muito empenhados na estratégia de escritórios”, diz Tiago Brandão, notando a falta de espaços de escritórios no país. “Queremos oferecer área!”, sublinha. Mas o segmento residencial também se mostra bastante interessante para a Incus. “Já temos várias coisas em mira, estamos a falar de residencial”, continua.

A ideia da empresa de crédito de risco é usar os 600 milhões que tem disponíveis no novo fundo para investir em projetos que se mostrem rentáveis. “Vamos dar soluções de financiamento entre dez a 100 milhões de euros. Podem ser projetos relativamente pequenos a projetos bastante maiores, desde escritórios, retalho, residencial ou logístico”, explica o responsável.

“Nós temos condições mais flexíveis e isso permite que muitos investidores necessitem de pôr menos capital [do que poriam num crédito bancário]. A fatia de risco deles é reduzida porque é passada para nós”, detalha. Uma coisa é certa: a empresa está “num ciclo completamente de investimento”.

O objetivo da Incus são “edifícios que já estão construídos, mas que podem estar com algumas ineficiências ou com necessidade de investimento”, podendo vir a ser transformados em espaços novos. É o caso do edifício da Maló Clinic, que a empresa comprou à Caixa Geral de Depósitos em março do ano passado. “Se a Maló Clinic está lá, ótimo, desde que seja um bom inquilino e pague rendas. Mas o nosso valor não vai ser da parte que já está alugada, mas sim em modernizar o edifício, pôr novos equipamentos, para depois alugar os apartamentos que estão vazios”, explica.

Tiago Brandão acredita que, dentro de algum tempo, o mercado imobiliário nacional vai sofrer uma correção, mas isso não o preocupa, pelo contrário. “Isto vai corrigir eventualmente e, portanto, entraremos nós para preencher quando esse capital se retrair”, remata.

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