Estivadores de Lisboa respondem com greve total a pedido de insolvência da A-ETPLl

  • Lusa
  • 21 Fevereiro 2020

Decisão surge no seguimento do pedido de insolvência da A-ETPL, Associação - Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa, situação que o Governo diz estar a acompanhar “com preocupação”.

Os estivadores do porto de Lisboa decidiram esta sexta-feira convocar uma “greve total, de 09 a 30 de março”, face à decisão das empresas de estiva de pedirem a insolvência da A-ETPL, Associação – Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa.

“No plenário realizado hoje, os estivadores decidiram prolongar a greve que está a decorrer até 9 de março, e que está a afetar apenas quatro empresas [que subscreveram uma proposta de redução salarial de 15% e o fim das progressões de carreira automáticas], alargando-a a todas as sete empresas de estiva do porto de Lisboa“, disse à agência Lusa o presidente do SEAL, Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística, António Mariano.

“As empresas de estiva colocaram a A-ETPL à beira da insolvência através de um processo de gestão danosa. E o tarifário aplicado pela A-ETPL às empresas de estiva, pela cedência de estivadores para a movimentação de cargas, não é atualizado há 26 anos, período em houve uma inflação superior a 65%”, disse.

A assembleia-geral da A-ETPL decidiu na quinta-feira pedir a insolvência da associação, face à alegada impossibilidade de encontrar soluções para a viabilização a empresa nas negociações com o SEAL.

Segundo António Mariano, de acordo com um estudo das próprias empresas, “bastaria uma atualização desse tarifário em 5% para resolver o problema financeiro da A-ETPL, mas as empresas alegam que isso é incomportável”.

“Nós não aceitamos que seja encerrada uma empresa de trabalho portuário, para se criarem novas empresas, `fresquinhas´, ali ao lado, em que se oferece emprego a alguns trabalhadores – nunca será a todos -, através de um processo de seleção que as empresas terão imaginado e, eventualmente, oferecendo as condições de trabalho que quiserem”, disse António Mariano.

“Não é esse o nosso modelo. Há uma empresa de trabalho portuário (A-ETPL) que serve todas as empresas de estiva de Lisboa, as condições estão aprovadas há uma década. Os preços [do trabalho de estiva] é que não têm sido atualizados desde há 26 anos”, acrescentou o dirigente do SEAL.

António Mariano referiu ainda que tem havido várias violações e incumprimentos dos acordos estabelecidos com o sindicato, e que há componentes do salário dos estivadores que não têm sido pagas, adiantando que o sindicato está a apurar esse montante, que, numa primeira estimativa, deverá ser de “cerca de dez milhões de euros”.

“Muitos desses créditos já estavam a ser exigidos às empresas de estiva, estávamos a tentar que a empresa de trabalho portuário não fosse perturbada no seu funcionamento e que fosse encontrado um ponto de equilíbrio da sua situação financeira. Mas, como as empresas decidiram avançar para a insolvência da A-ETPL, vão ser confrontadas com todos os créditos que os trabalhadores têm perante a A-ETPL e as empresas associadas”, disse.

O presidente do SEAL defendeu ainda a necessidade de se investigar o que considera ser a “gestão danosa da A-ETPL, que conduziu ao pedido de insolvência”, e congratulou-se com o facto de a greve parcial, que está a decorrer desde o dia 19 de fevereiro – a que se seguirá uma greve total de 9 a 30 de março – estar a ter uma “adesão total”.

“A greve tem estado a ser respeitada a 100% pelos trabalhadores da A-ETPL, mas também pelos trabalhadores da empresa PORLIS, um exército de reserva do grupo Yilport”, disse António Mariano.

Governo acompanha “com preocupação” insolvência da A-ETPL

O ministro das Infraestruturas garantiu hoje que o Governo está a acompanhar “com preocupação” a insolvência da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), que cede mão-de-obra às empresas de estiva do Porto de Lisboa.

“A única coisa que posso dizer neste momento é que nós estamos a acompanhar a situação obviamente com preocupação e queremos acompanhar as reivindicações dos trabalhadores. Percebermos as empresas também, porque temos sempre aqui dois lados, mas obviamente estamos preocupados com quem trabalha no porto e estamos, sobretudo, preocupados com as consequências [de paragens]”, disse o ministro, ressalvando não querer fazer mais comentários que ponham “em risco” o trabalho que o Governo está a fazer quanto à situação no Porto de Lisboa.

Pedro Nuno Santos falava aos jornalistas à margem do almoço/debate do International Club of Portugal, sobre “Os Desafios da Ferrovia: Infraestrutura, Serviços e Indústria”, em Lisboa.

“Antecipámos já os riscos para o país para a região de Lisboa e, sobretudo, para o Porto de Lisboa, que tem sido fustigado com greves que têm consequências, não só no curto prazo, mas a longo prazo para a própria sobrevivência do Porto Lisboa, mas, obviamente também estamos preocupados com as reivindicações dos trabalhadores do Porto de Lisboa”, acrescentou.

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