Lufthansa e United. Conheça as gigantes que querem entrar na TAP

A Lufthansa e a United Airlines estarão na frente da corrida para entrar no capital da TAP. Mas que companhias aéreas são estas? Fique a conhecer dois gigantes.

Um consórcio composto pela Lufthansa e pela United está de olhos postos na TAP, que é detida a meias pela Atlantic Gateway e pelo Estado português. Há meses que se sabia do interesse destes gigantes na companhia portuguesa, mas as atenções voltaram a centrar-se num eventual negócio, depois de o comentador Luís Marques Mendes ter dito, este domingo, que o empresário David Neeleman está a preparar-se para vender a empresa.

Posto isto, quem são as duas gigantes da aviação civil que querem ficar com a companhia aérea de Portugal? Uma é alemã, a outra é norte-americana. Os nomes não são, propriamente, desconhecidos, tendo em conta que os seus aviões estilizados descolam e aterram na maioria dos aeroportos internacionais, incluindo o da Portela. Menos conhecida, porém, é a dimensão destas duas companhias, cujas ramificações se estendem por várias outras empresas e setores em muitas partes do mundo.

Comecemos pela Lufthansa, presidida por Carsten Spohr. Com polos em Frankfurt e Munique, começou a operar em abril de 1955. É, atualmente, a segunda maior companhia aérea da Europa e a sétima maior do mundo em quantidade de passageiros transportados, operando voos para mais de 280 destinos em mais de uma centena de países. Estamos, por isso, a falar de um grupo que emprega mais de 135.500 trabalhadores e que possui uma frota composta por quase 750 aviões.

A companhia alemã ainda não publicou os dados do ano completo de 2019. Mas os de 2018 evidenciaram lucros de 2,163 mil milhões de euros, perante receitas de quase 36 mil milhões. Nesse ano, a Lufthansa operou mais de 1,2 milhões de voos e transportou 142,3 milhões de passageiros, com uma taxa média de ocupação dos voos de 81,4%. Os números mais recentes, do período de janeiro a setembro do ano passado, exibem lucros de mais de mil milhões de euros, receitas de 27,7 mil milhões e quase 900 mil voos operados nestes nove meses, transportando perto de 112 milhões de pessoas.

O grupo Lufthansa não tem, contudo, apenas a Lufthansa. Do portefólio da empresa junta ainda a Lufthansa German Airlines, a Swiss Airlines, a Austrian Airlines e a Brussels Airlines, além da low-cost Eurowings. É o novo nome da antiga Germanwings, empresa envolvida no acidente de 24 de março de 2015, em que um piloto provocou deliberadamente a queda de um avião, vitimando 144 passageiros e seis tripulantes.

Sob a chancela da Lufthansa encontra-se ainda a Lufthansa Cargo, que opera no setor do transporte de mercadorias, assim como outras empresas satélite, nomeadamente de serviços de apoio à aviação. É o caso da Lufthansa Logistics, MRO, Catering, Additional Businesses e Group Functions — esta última engloba, ainda, a Lufthansa AirPlus, a Lufthansa Aviation Training e outras empresas mais focadas em tecnologia. “Todos estes segmentos ocupam uma posição de liderança nos seus respetivos mercados”, garante o grupo.

E qual o perfil da United, a empresa apontada como parceira da Lufthansa num potencial negócio de compra da portuguesa TAP? Fundada em 1926 com o nome Varney Air Lines, a United é quase uma empresa centenária. Começou a operar em março de 1931 e, atualmente, ocupa a quarta posição entre as companhias aéreas norte-americanas em passageiros transportados, bem como a quarta em todo o mundo.

Ao todo, foram mais de 162 milhões de passageiros transportados em 2019. Neste ano a United empregava mais de 90.100 pessoas a tempo inteiro e controlava uma frota de mais de 1.300 aviões. Fechou o ano com lucros de cerca de três mil milhões de dólares, tendo registado receitas de quase 43,3 mil milhões de dólares, a esmagadora maioria com o transporte de passageiros, mas também com o transporte de mercadorias, entre outros negócios.

A United Airlines tem como presidente executivo Oscar Munoz e voa para quase 190 destinos, a maioria nos EUA. E tal como a Lufthansa, o grupo norte-americano controla também um vasto leque de subsidiárias em muitas partes do mundo. É a dona da Air Micronesia, da Continental Airlines de Mexico, da Continental Express e da Four Star Insurance Company, bem como da Covia, United Aviation Fuels Corporation, United Cogen e United Vacations.

Esta amplitude das duas empresas poderá resultar em sinergias com a TAP, numa altura em que a companhia aérea portuguesa permanece com futuro incerto. As relações entre o acionista Estado e o consórcio Atlantic Gateways (dos empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman) têm vindo a deteriorar-se, com a empresa a apresentar prejuízos de 105,6 milhões de euros no ano completo de 2019.

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