Petróleo afunda mais de 5%. Toca mínimo de mais de um ano

Com os receios quanto ao impacto do coronavírus na economia mundial, o petróleo está a afundar nos mercados internacionais. As empresas do setor estarão a ser arrastadas.

Perante a escalada de casos de coronavírus a nível mundial, estão a aumentar os receios dos investidores quanto ao crescimento da economia global, levando a uma forte queda das cotações do petróleo. O barril está a afundar 5% no mercados internacionais, com o Brent e o West Texas Intermediate a tocarem mínimos de mais de um ano. A China espera que o surto esteja sob controlo no final de abril, mas, mesmo que aconteça, não se sabe ainda qual será o impacto económico.

Segundo os últimos dados da Comissão Nacional de Saúde da China, há um total de 2.744 mortos e 78.497 infetados no país. Entre os casos confirmados, 43.258 ainda estão ativos e 8.346 encontram-se em estado grave. Mais de 32.400 pessoas já receberam alta após superarem a doença.

“Há duas implicações económicas deste surto. Primeiro, a disseminação alargada do vírus irá inevitavelmente causar maiores restrições nas viagens internacionais e afetar a vontade das pessoas de participar em reuniões públicas ou em atividades do dia-a-dia“, explica Michael Strobaek, global CIO do Credit Suisse, numa nota de research sobre o impacto do coronavírus nos mercados financeiros. “Segundo, mais disrupções na produção irão depender muito das restrições impostas por governos e reguladores”, sublinhou, apontando para a possibilidade de serem fechadas mais fronteiras.

Estas implicações poderão comprometer o crescimento económico global e, consequentemente, a procura por petróleo, enquanto restrições de movimentos limitam os gastos com combustíveis. Neste cenário, o petróleo segue em forte queda. O crude WTI afunda 5,13% para 46,23 dólares por barril e o Brent de referência europeia desvaloriza 4,3% para 51,15 dólares por barril.

Brent volta a aproximar-se dos 50 dólares

As empresas do setor petrolífero estão a acompanhar a queda dos preços da matéria-prima. Na bolsa de Lisboa, a Galp Energia é a cotada que mais cai: quase 6% para 12,92 euros por ação, em mínimos de cinco meses. A petrolífera portuguesa acompanha as perdas das pares europeias (a Shell recua 4,5% em Amesterdão e a BP perde 4,3% em Londres, por exemplo), mas há quedas bem mais expressivas: a Southwestern Energy tomba 14% e a Gulfport Energy afunda 15%, em Nova Iorque. A maior petrolífera do mundo, a Saudi Aramco deslizou 0,30%, na bolsa da Arábia Saudita.

Apesar das fortes quedas, o Credit Suisse lembra que parte do selloff está associado ao pânico que se está a gerar no mercado. “Taticamente, mantemos uma posição neutra sobre as ações e uma alocação moderada em commodities pois pensamos que o recente movimento no preço do petróleo e noutras matérias-primas já descontam um cenário de crescimento mais pessimista“, acrescentou Strobaek.

(Notícia atualizada às 15h10)

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