BRANDS' PESSOAS Igualdade de género nas empresas

  • BRANDS' PESSOAS
  • 9 Março 2020

Joana Gonçalves Rebelo, EY Manager, People Advisory Services, explica cinco mecanismos que as organizações podem adotar para criar programas de igualdade de género.

A igualdade de género em Portugal muito tem evoluído pela positiva em todos os aspetos. O aumento das licenças de parentalidade, por exemplo, demonstra a necessidade de os homens acompanharem os filhos nos primeiros anos, refletindo assim uma partilha de responsabilidades assinável quando comparado com o passado.

Em Portugal só a partir de 1974 é que as mulheres tiveram a oportunidade de votar de forma universal, igual e em segredo, e só a partir de 1978 deixaram de ser dependentes do marido. As taxas de analfabetismo entre as mulheres eram de mais de 30% e só 0,5% eram licenciadas (fonte: CIG.Gov.Pt).

Refletindo sobre os dados, as mulheres tinham um papel bem mais limitado na sociedade, sendo-lhes vedadas algumas profissões e, noutros casos, necessitando de autorização. O seu papel era, sim, muito mais sólido nas tarefas ou da casa ou relacionadas com os filhos.

"Se em 70 anos muito mudou em Portugal e no mundo, claramente que ainda há espaço de melhoria no que se refere à equidade de oportunidades, remunerações e crescimento das mulheres nas organizações. ”

O papel da mulher evoluiu muito desde então e a sua presença no mercado de trabalho está muito mais marcada, comparativamente ao passado, pela paridade de género, não havendo atualmente qualquer limitação formal de acesso profissional.

No entanto, e como já muito assinalado, as mulheres continuam a auferir de uma remuneração inferior em funções comparativamente iguais. Esta diferença em 2018 era de cerca de 14% em Portugal (fonte: Barómetro Das Diferenças Remuneratórias Entre Mulheres E Homens) e em todo mundo, a imparidade salarial é ainda maior: as mulheres auferem anualmente, em média, 11.500 dólares, enquanto os homens recebem 21.500 dólares, de acordo com o relatório da EY How can we move forward while the economic gender gap keeps moving backward?.

Com as imparidades existentes e apesar dos esforços já desenvolvidos, cabe a todos e a cada um de nós ter um papel na redução das desigualdades. Vários mecanismos de suporte podem ser introduzidos pelas próprias organizações no seu dia-a-dia, criando programas de promoção da igualdade de género.

Estes programas, que podem e devem estar presentes nas políticas e processos de recursos humanos, podem assumir várias formas, nomeadamente:

  • Recrutamento: limitar a imparidade de contratação muitas vezes fruto de viés cognitivo (bias) inconsciente por parte de quem faz triagem e seleção de candidatos. Um exemplo de formas de reduzir ou ultrapassar esta questão é a introdução de Robotic Process Automation (RPA), robôs, na triagem de CV’s. Os RPA’s conseguem identificar os melhores candidatos para a vaga em aberto sem serem suscetíveis a vieses de género, raça ou étnica etc;
  • Avaliação de Desempenho: introdução de objetivos e/ou métricas de avaliação de desempenho focados em resultados e dados que reduzam o impacto de potenciais juízos de género sobre o indivíduo;
  • Gestão de Carreiras: criação de políticas de suporte a mulheres aumentando a flexibilidade que permita o crescimento na carreira, ao mesmo tempo que lhes é possível dar resposta aos desafios da vida pessoal;
  • Auditorias salariais: realização de auditorias salariais como forma de garantir que remunerações entre homens e mulheres são equiparáveis para as mesmas funções, habilitações, antiguidades e mais que se mostrar relevantes;
  • Data Analytics: a gestão da organização com base em dados quantitativos que efetivamente espelhem a empresa permite compreender as áreas de atuação mais fragilizadas e que necessitam de suporte específico, evidenciando imparidades, como a questão do género.

Se em 70 anos muito mudou em Portugal e no mundo, claramente que ainda há espaço de melhoria no que se refere à equidade de oportunidades, remunerações e crescimento das mulheres nas organizações. Prova disso é o facto de o Presidente da República Português ter promulgado a Lei n.º 62/2017 de suporte à paridade de género, garantindo que há um equilíbrio de género em listas eleitorais, vogais em juntas de freguesia, etc.

As organizações e os seus líderes têm um papel preponderante na criação desta igualdade mas todos nós, indivíduos, também o temos, nomeadamente através do suporte de jovens mulheres em idade escolar, promovendo o seu acesso ao conhecimento e experiência profissional, denunciando casos de abuso ou imparidade, sendo mentor de outras mulheres, não tolerando comentários que abusivos para com as mulheres etc …

E a sua empresa, como constrói um melhor mundo para se trabalhar?

Se tem interesse em receber comunicação da EY Portugal (convites, newsletters, estudos, etc), por favor clique aqui.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Igualdade de género nas empresas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião