Like & Dislike: Onde pára a ministra do Trabalho?

Se isto é uma “guerra” como diz o Presidente, é caso para dizer que Ana Mendes Godinho desapareceu em combate. Siza Vieira transformou o Ministério do Trabalho numa direção-geral do seu ministério.

Dia sim, dia não, António Costa, Mariana Vieira da Silva ou Siza Vieira aparecem na televisão, seja no final dos conselhos de ministros, seja no final das reuniões de concertação social, a dar a cara pelas medidas do Governo de combate à crise.

A maior parte destas medidas são de áreas tuteladas pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Mas numa altura em que, como diz o Presidente da República, “o país está em guerra”, é caso para dizer que Ana Mendes Godinho desapareceu em combate.

Nesta altura, os empresários e os trabalhadores precisavam de um interlocutor que percebesse das regras do mercado laboral e que conseguisse falar a mesma língua e explicar o alcance e a operacionalização das medidas anticrise. O país precisava nesta altura de um Vieira da Silva que é, muito provavelmente, o português que mais percebe de temas relacionados com o Trabalho e a Segurança Social.

Por causa do familygate e da presença da filha nas reuniões do Conselho de Ministros, Vieira da Silva resolveu não continuar na pasta. António Costa escolheu para o substituir no seu segundo Governo, e de uma forma surpreendente, Ana Mendes Godinho.

Foi uma surpresa porque Ana Mendes Godinho fez toda a sua carreira ligada ao setor do turismo, e de Trabalho e Segurança Social apenas se lhe conhecia experiência como “diretora dos Serviços de Apoio à Atividade Inspetiva da Autoridade para as Condições do Trabalho”.

Rapidamente se percebeu que quem ia realmente mandar nesse grande ministério seria Siza Vieira. É Vieira, mas não é Vieira da Silva. Isto nota-se pelas trapalhadas, falta de informação e de clareza nas medidas aprovadas.

Esta ausência e falta de peso político de Ana Mendes Godinho notou-se todos os dias ao longo desta semana em que só no diploma do lay-off simplificado foram precisos quatro decretos e portarias para tentar chegar a um texto que fizesse um mínimo de sentido para os empresários. Mesmo tendo acesso ao lay-off, os empresários nem sequer sabem muito bem como processar os salários, pois ainda não perceberam se a parte dos 70% financiada pela Segurança Social é ou não sujeita a retenção de IRS.

Não é de hoje que Ana Mendes Godinho desapareceu em combate. Ficou, como era tradição, a presidir às reuniões da concertação social sempre que o primeiro-ministro não estivesse presente, mas Costa quis que tivesse sempre a sombra de Siza Vieira. Quando foram as reuniões da concertação social para discutir o Acordo de Rendimento e Competitividade, quem deu a cara não foi quem tutelava a pasta, mas sim Siza Vieira.

Ana Mendes Godinho aparecia ao lado, a fazer figura de corpo presente, sempre sorridente. Aliás, o sorriso constante é a imagem de marca desta ministra, mesmo quando fala de temas menos dados a sorrisos.

Nunca se percebeu se é um sorriso de nervosismo, de quem ainda não domina os dossiers, se é o sorriso de alguém confiante e de bem com a vida, ou simplesmente se é um sorriso para agradar a Siza Vieira que conseguiu transformar o ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social numa espécie direção-geral do ministério da Economia e da Transição Digital.

Nesta altura, em que o país está a enfrentar uma dupla crise — sanitária e económica — Ana Mendes Godinho deveria estar a fazer briefings diários, tal como fazem Graça Freitas e Marta Temido no campo da Saúde. Os empresários, angustiados, porque não sabem como vão pagar os salários do mês de março, precisam de quem lhes comunique com clareza, que lhes explique a que medidas podem recorrer para salvar os postos de trabalho e como o fazer.

Para terminar, deixo aqui uma carta que recebi ontem de manhã de um empresário a perguntar pelo paradeiro da ministra:

Gostei do seu artigo, mas como calcula, sem poder operar, conheço o tema de cima a baixo. O que se pergunta é onde a quem e quando nos devemos dirigir.

Como é do seu conhecimento nada está ainda preparado. Já passaram duas semanas (vamos a caminho da terceira) e tirando as linhas de crédito que já estavam activas, as empresas têm de aguardar que a burocracia do Estado coloque os impressos e as regras a funcionar… entretanto a tesouraria vai desaparecendo.

Quais são os decretos-lei, ou as leis, Portarias e restantes papeladas que regulam essa famosa ajuda? Quando é que os apoios chegam à “rua”?

Eu desconheço e o meu contabilista também. Os meus parceiros também não sabem. Onde na Segurança Social posso preencher o impresso para o novo lay-off?

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