Portugal atrai “procura recorde” por dívida a sete anos. Supera 30 mil milhões

A agência que gere a dívida pública anunciou que fechou uma venda sindicada de obrigações a sete anos esta quarta-feira. Emitiu 5 mil milhões numa operação com uma procura seis vezes superior.

Portugal atraiu procura recorde na emissão de dívida que realizou esta quarta-feira. Os dados finais indicam que o país vendeu cinco mil milhões de euros, numa operação em que os investidores estavam dispostos a colocar seis vezes mais.

“Apesar dos elevados níveis de volatilidade no mercado, a transação atraiu um livro de ordens recorde para a República de Portugal com as ordens a superarem os 30 mil milhões, no maior livro de ordens de sempre para uma emissão sindicada de OT [Obrigações do Tesouro]”, anunciou a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, em comunicado.

Foi esta forte procura que levou a que o juro da operação tenha ficado em 0,726%. A agência liderada por Cristina Casalinho explica que recebeu “feedback positivo dos investidores” que levou à revisão em baixa do spread.

A operação contou com um guidance inicial para um spread de 90 pontos base face à a taxa de mid swap do euro a sete anos. Uma hora depois do lançamento da operação, a procura já tinha superava os 20 mil milhões e o spread foi revisto em baixa. Acabou por se fixar em 86 pontos base, colocando o juro em 0,726%.

No total, 382 intermediários participaram na operação de venda de OT que atingem a maturidade a 15 de outubro de 2027, incluindo o sindicato de bancos: Barclays, BBVA, CaixaBI, Credit Agricole, J.P. Morgan e Morgan Stanley.

Bancos europeus dominaram venda sindicada

Fonte: IGCP

“A transação seguiu-se à divulgação do programa de financiamento do IGCP para o segundo trimestre, no qual foi tornado público um aumento antecipado das necessidades de financiamento devido à resposta da República à Covid-19 e a aceleração da execução do programa de média e longo prazo”, acrescenta Cristina Casalinho.

No documento divulgado esta terça-feira, a agência que gere a dívida pública aponta para um aumento de 250 milhões de euros em cada leilão de títulos de médio ou longo prazo, além de um total de 1,3 mil milhões a curto prazo.

No total do ano, incluindo já esta operação de venda e outras operações realizadas no primeiro trimestre, o IGCP poderá emitir um total de 89 mil milhões de euros nos vários instrumentos de dívida, de acordo com a autorização dada pelo Governo esta quarta-feira.

(Notícia atualizada às 19h30)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugal atrai “procura recorde” por dívida a sete anos. Supera 30 mil milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião