“Chegou a mãe de todas as recessões”. UniCredit prevê quebra de 15% do PIB de Portugal

"Chegou a mãe de todas as recessões". É com esta frase que o banco italiano arranca as novas previsões para este ano. O PIB português vai cair 15% em 2020, mas recupera 10% em 2021.

A economia portuguesa poderá encolher 15% em 2020, à semelhança da economia italiana, segundo as previsões mais recentes do banco italiano UniCredit. Pior ainda ficará Espanha e a Grécia cujo PIB poderá cair 15,5% e 18,6%, respetivamente. No seu conjunto, o PIB da Zona Euro deverá contrair 13% este ano.

Chegou a mãe de todas as recessões“. É com esta frase que o UniCredit começa as previsões em que já incorpora o impacto económico do coronavírus. O dramatismo das palavras reflete-se no pessimismo dos números: o banco antecipa a pior de recessão de sempre para Portugal com o PIB a encolher 15%, o défice a subir para os 10,9% do PIB, a dívida pública a atingir os 145,7% (117,6% em 2019) e as contas externas a tornarem-se ligeiramente negativas (-0,5% do PIB).

Esta é uma das piores previsões feitas nas últimas semanas para a economia portuguesa. A queda do PIB anual prevista por outras instituições varia entre os 5 e os 10%: Banco de Portugal prevê no pior cenário uma contração de 5,7%, o Fórum para a Competitividade de 8% e o NECEP da Católica de 10%. O Governo deverá atualizar as suas projeções tendo em conta o novo panorama durante a próxima semana quando entregar o Programa de Estabilidade 2020-2024.

Este é um retrato negro — um dos mais pessimistas já divulgados pelas instituições que fazem previsões — para a economia portuguesa num ano em que a economia mundial deverá cair 6%, o dobro da queda verificada durante a crise financeira de 2008/2009. Estas previsões foram construídas com o pressuposto de que as medidas de contenção da propagação do vírus mantêm-se em vigor até junho tanto na Europa como nos EUA, começando a ser “gradualmente” revertidas no segundo semestre.

Além disso, o banco italiano assume que a atividade económica não voltará completamente ao normal uma vez que algumas medidas terão de manter-se até que haja uma vacina ou imunidade massiva de forma a prevenir uma segunda onda do surto. O risco de haver esse segundo surto deverá atrasar o investimento das empresas e aumentar a poupança “por precaução”. Caso haja um elevado nível de falências e um aumento do desemprego, o cenário pode ser ainda pior.

Na Zona Euro, o PIB deverá cair 25% no primeiro semestre de 13% no conjunto do ano, recuperando com um crescimento de 10% em 2021. Porém, os economistas do UniCredit alertam que a resposta dos Estados-membros tem sido “descoordenada” na ausência de uma “abordagem comum” ao problema. “A divisão entre o Sul e o Norte da Zona Euro reemergiu e a solidariedade financeira é ainda evasiva”, concluem.

UniCredit prevê contração de 5% no primeiro trimestre

Neste cenário, a economia portuguesa deverá contrair 5% no primeiro trimestre e entre 20 a 25% no conjunto do primeiro semestre, recuperando com um crescimento de 10% no segundo semestre e em 2021.

“Estes desenvolvimentos iriam representar a pior recessão que o país já viveu, pior do que a registada durante a grande recessão (quando o PIB contraiu 3,1% em 2009) e a crise do petróleo de 1975 (o PIB contraiu 5,1% nessa altura)“, recorda o banco italiano.

Tal como aconteceu nos restantes países que tomaram medidas preventivas, a economia portuguesa registou uma “deterioração assinalável e repentina”. À semelhança do que dizem outras análises, o UniCredit assinala que Portugal está “particularmente vulnerável” a um choque deste tipo uma vez que 27% da economia está ligada ao turismo, um dos setores mais afetados por esta situação.

Acresce que o setor empresarial é composto “quase inteiramente” por PME (97% do total), tendo uma situação financeira “relativamente frágil”, a qual será testada por esta “abrupta disrupção de cash flow“.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Chegou a mãe de todas as recessões”. UniCredit prevê quebra de 15% do PIB de Portugal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião