Seguramos: “Queremos estar no TOP10 das corretoras do país”

Nos últimos dois anos cresceu 66% em comissões, no ano passado limpou a dívida e, depois de bem posicionada no norte, prepara-se para atacar o centro e o sul porque quer crescer.

A Seguramos entrou em 2020 com objetivo ambicioso de aumentar o volume de comissões cobradas de 2,8 milhões de euros, em 2019, para 3,25 milhões de euros. O desenvolvimento da crise pandémica não aconselha ainda novas previsões, mas a 15ª maior corretora de Portugal, por dados de 2018, teve no ano passado um exercício ideal para o momento: Cresceu 27% em receitas de comissões, conseguiu um EBITDA de 648 mil euros, reduziu a dívida de 460 mil para 27 mil euros e pretende distribuir dividendos, pela primeira vez em 20 anos de vida.

Mário Ramos, CEO da Seguramos: ” O Mundo Pós-Covid reforçará ainda mais a dinâmica digital entre segurados, seguradoras, corretores e mediadores de seguros, desde a aquisição e troca de seguro, à monitorização da sinistralidade e ao suporte ao cliente”.

“Queremos estar no top10 das corretoras em Portugal”, afirma sem rodeios Mário Ramos, o engenheiro mecânico que no ano 1997 montou um escritório de mediação dedicando tempo inteiro ao que antes partilhava com a direção fabril de empresas têxteis no norte do país. O pai já era mediador de seguros em acumulação com a profissão de técnico de contas e, aos 12 anos, Mário já acompanhava o progenitor aos fins de semana na visita aos clientes, a fazer cobranças e a fazer contratos.

O CEO Mário Ramos junta experiência no mercado dos seguros ao conhecimento do tecido empresarial e não está otimista: “Em Portugal, onde as pequenas e microempresas representam cerca de 99% do tecido empresarial, a maior parte das empresas não terá capacidade para se aguentar por muito tempo, a menos que as medidas anunciadas sejam aplicadas de forma célere”, refere acrescentando que o “o setor dos seguros é robusto, mas sofrerá um impacto considerável devido a esta pandemia, tanto pela quebra de receitas como pelo aumento do pagamento de indemnizações, principalmente no ramo Vida”.

Ainda quanto à conjuntura, Mário Ramos nota que “neste momento é já evidente uma ligeira quebra na subscrição de novas apólices, que poderá ter tendência a acentuar-se nos próximos tempos, ainda que haja também, por outro lado, um expectável crescimento nos pagamentos por multibanco e transferência bancária, o que levará a uma melhoria nos índices de retenção”, conclui.

No ano 2000 Mário Ramos montou a Seguramos, em Santo Tirso, onde nasceu há 59 anos e, três anos depois, procurou crescer adquirindo carteiras a mediadores. Nessa altura cedeu 45% do capital à Proef, empresa que constrói soluções para as empresas de telecomunicações e energia e que, apesar da sua dimensão, apenas significa 4% das vendas da Seguramos. A dispersão da carteira é mesmo uma das características marcantes da corretora. Tem cerca de 27 mil clientes ativos, 3 mil são empresas que representam 62% do negócio, o restante resulta de 24 mil particulares.

De mediadora a Seguramos passou a corretora em 2008 e conta atualmente com sete escritórios no Porto, onde está a sede, e dependências em Lisboa, Braga, Guimarães, Famalicão, Felgueiras e Trofa. Tem 35 colaboradores diretos e trabalha com 220 agentes em todo o país. A presença geográfica tem ainda prevalência no Norte, onde a empresa nasceu, mas o crescimento vai acontecer no Centro e no Sul, “queremos tornar a corretora verdadeiramente nacional”, confessa Mário Ramos.

A Agência de Braga é uma das sete bases da Seguramos, dos 35 colaboradores e da gestão da rede de 220 agentes.

A Seguramos trabalha com 44 Seguradoras, todas as 15 maiores nacionais, outras nacionais e muitas internacionais. Quanto a produtos e serviços “O espetro de soluções que dispomos permite-nos ter ofertas integradas e competitivas desde o seguro mais comum e obrigatório até à implementação de programas de seguros para PME’s e grandes empresas, assim como para grupos empresariais ou programas de affinity para Empresas, associações e grupos, independentemente do setor de atividade”, diz Mário Ramos.

Revela que a carteira tem uma maior incidência de clientes empresariais de determinados setores, nomeadamente o calçado na zona de Felgueiras, os setores têxtil e construção no Vale do Ave e a metalomecânica em alguns concelhos do Grande Porto, “o que nos permitiu, de certa forma, adquirir um know-how e um maior grau de especialização nesses setores em concreto”, diz.

Viver o presente e ajustar o futuro

Na Seguramos há a certeza de que os segurados estão conscientes das coberturas contratadas. Com uma pandemia imprevista, os clientes têm colocado diversas questões acerca do âmbito de cobertura das suas apólices e com o que podem contar. “A algumas questões temos sido capazes de responder com clareza”, afirma Mário Ramos, “para outras temos que esperar pelo posicionamento das seguradoras que, em articulação com o órgão de Supervisão, têm tido um comportamento à altura da sua responsabilidade e importância na sociedade, seja no controlo da propagação do Covid-19 ou no apoio às autoridades públicas”.

As questões mais comuns colocadas pelas empresas estão relacionadas com as perdas financeiras e interrupção da atividade motivada pela pandemia. Querem saber se as mesmas estão garantidas ou não pelas apólices de Perdas de Exploração “e não estão, é uma exclusão”, confirma o gestor. Ou saber se é possível suspender as apólices de acidentes de trabalho e frotas após a implementação do regime de lay-off. Também as apólices de viagens são questionadas sobre se excluem despesas relacionadas com pandemias. Já os clientes particulares “questionam o âmbito das garantias e exclusões dos seguros de vida e de doença, e dos seguros de viagens”, diz.

Considera que o setor segurador reagiu bem à crise: “As seguradoras responderam muito rapidamente. Organizaram-se e articularam-se, e poucos dias após a declaração de pandemia percebeu-se uma estratégia de comunicação vertical por parte de todo o Mercado, colocando-se inteiramente ao lado dos segurados”.

Exemplificando como troféus, Mário Ramos lembra que no ramo saúde, apesar de despesas relacionadas com epidemias estarem excluídas, a generalidade das seguradoras está a assumir custos com testes, a disponibilizar plataformas de medicina online para o Covid19, a informar sobre a evolução da doença, a criar linhas telefónicas de primeira assistência para acidentes não relacionados com saúde/doença ou Covid-19, a alargar garantias em Acidentes de Trabalho. Por último aplaude o alargamento dos prazos de pagamento por parte de algumas seguradoras. Está satisfeito com a preocupação social do setor.

O futuro mudou de aparência mas Mário Ramos afirma: “Elaborámos um Plano Estratégico, cuja execução tem dado resultados e, salvo alguns ajustes de contexto, não vamos abdicar do que definimos como linhas orientadoras”.

A estratégia da Seguramos passa, segundo Mário Ramos, pela retenção de Clientes, pelo crescimento orgânico, por uma aposta cada vez mais forte nas parcerias e lojas franchisadas que permita ter um âmbito cada vez mais nacional, nas integrações ou aquisições, e na aposta na comunicação e no digital.

Para o CEO “o Mundo Pós-Covid reforçará ainda mais a dinâmica digital entre segurados, seguradoras, corretores e mediadores de seguros, desde a aquisição e troca de seguro, à monitorização da sinistralidade e ao suporte ao cliente” e acrescenta: “Acreditamos ter as ferramentas necessárias para sermos um agente indutor desta mudança”, conclui o líder da Seguramos.

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