Venda da Brisa “reforça a capacidade financeira” do grupo Mello. “Estamos a olhar para novas oportunidades”

Vasco de Mello, presidente da Brisa, diz que o grupo está preparado para fazer crise da Covid-19, apontando para a necessidade de o tecido empresarial se reinventar.

O grupo Mello poderá investir em novos setores após a venda da Brisa, segundo o presidente da concessionária de autoestradas portuguesa. Vasco de Mello acredita que a empresa ficará mais capitalizada após o fecho da operação — que ainda não recebeu autorizações regulatórias — e, por isso, mais resiliente à crise pandémica. “A operação vai reforçar a capacidade financeira do grupo e penso que de facto as empresas melhor capitalizadas vão ter oportunidades interessantes“, afirmou Vasco de Mello, numa conferência online organizada pela Nova SBE sobre estratégias de relançamento da economia.

O Grupo José de Mello e a Arcus acordaram, no fim de abril, a venda de 81,1% da Brisa a um consórcio formado pela APG (gestora de ativos da ABP, o fundo de pensões dos funcionários públicos e do setor da educação dos Países Baixos), o NPS (serviço nacional de pensões da República da Coreia) e a SLAM (gestora de ativos da Swiss Life, a maior seguradora do ramo vida na Suíça). O valor do negócio está próximo de 2,5 mil milhões de euros.

Apesar de ainda não querer avançar onde vai ser usado o encaixe financeiro da venda, Vasco de Mello assume a hipótese de o grupo entrar em novos negócios. “Estamos presentes em áreas que vamos continuar a investir, como a saúde e indústria, e iremos com certeza olhar para outras oportunidades“, sublinhou.

O presidente da Brisa lembrou que a operação ainda não está concluída, está acordada a aguardar as autorizações das autoridades, o que é esperado que aconteça até final de setembro.

Vasco de Mello disse ainda que a operação concretiza numa altura em que a pandemia afeta todos os negócios é um “sinal de enorme confiança de grandes investidores com perspetiva de longo prazo em relação a Portugal”.

“Penso que Portugal tem aqui uma oportunidade de ouro nesta crise. Vão ser alteradas cadeias de fornecimento, em que Portugal pode aproveitar as vantagens competitivas que tem e explorar essas oportunidades. A competição por investimento vai ser cada vez maior e temos de criar um campo de igualdade de circunstâncias“, acrescentou.

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