BRANDS' PESSOAS Cultura organizacional em tempos de crise: a alavanca de resultados de negócio

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  • 11 Maio 2020

Joana Gonçalves Rebelo, Manager EY, People Advisory Services, explica os benefícios da criação de uma cultura organizacional orientada ao engagement de colaboradores nos tempos em que vivemos.

As situações de crise nas organizações, independentemente da sua natureza ou origem, requerem esforço anímico adicional para que sejam ultrapassadas. Este esforço inevitavelmente vem das suas pessoas e, no melhor dos cenários, é partilhado por todos os níveis hierárquicos.

Em tempos de crise e complexidade acrescida as organizações carecem de ADN capaz de mudar, e inovar de forma a adaptarem-se a novos contextos, novas formas de trabalhar e dar resposta aos novos desafios. A cultura organizacional é um poderoso aliado nessa capacidade de retoma – “Cultura organizacional não é apenas um fator importante de uma organização, é o pilar central de uma performance superior de gestão. É o core de como a empresa realmente é, como opera, no que se foca e como trata clientes, colaborares e stakeholders” (in Effects of Corporate Culture on Organization Performance, IOSR Journal of Mathematics, Karanja, J. W., 2014).

É um elemento diferenciador e que impacta formas de trabalhar. Como os colaboradores se sentem na organização, as regras instituídas para agir e os comportamentos a seguir, todos são fatores que conseguem influenciar diretamente os resultados operacionais do negócio.

"As culturas de engagement dos colaboradores irão dar visibilidade sobre o que há de melhor em cada colaborador, gerando esforço por parte das equipas na retoma do negócio em tempos difíceis.”

Joana Gonçalves Rebelo

Manager EY

Estudos feitos demonstram que culturas organizacionais orientadas ao engagement de colaboradores obtêm resultados financeiros superiores: 65% de aumento no preço de ações; 26% menos de rotatividade; menos 20% de absentismo; 15% de aumento de produtividade e aumento de 30% da satisfação do cliente, de acordo com o artigo If Culture Comes First, Performance Will Follow, da Forbes (2017).

Assim, e sendo criada a partir das experiências vividas, rituais e comportamentos demonstrados de forma espontânea, a cultura organizacional também é passível de ser desenhada e transformada no ideal desejado.

Para o momento que vivemos, é importante alicerçar os negócios em culturas que potenciem alguns fatores determinantes:

  • A possibilidade de serem ouvidas ideias e sugestões de todos os níveis hierárquicos. A partilha de ideias entre colaboradores irá potenciar a possibilidade destes poderem trazer para a mesa novos conceitos e visões, que vão abrir a porta oportunidades de negócio e/ou de crescimento não detetadas de outra forma;
  • A orientação para a agilidade e desburocratização. Ter uma cultura em que “trabalhar é fácil” e descomplicado acelera a produção de ideias, testes e go-to market, conseguindo, desta forma, não apenas reduzir custos como também ganhar timing de oportunidade;
  • Cultura agregadora que junta as pessoas e as equipas para um bem comum, que é o de fazer a empresa ser bem-sucedida e consequentemente trazer sucesso a todos os colaboradores também.

As culturas de engagement dos colaboradores irão dar visibilidade sobre o que há de melhor em cada colaborador, gerando esforço por parte das equipas na retoma do negócio em tempos difíceis.

O tema da cultura torna-se especialmente relevante na medida em que, mesmo havendo investimento em ações de engagement, os mesmos não produzem resultados em culturas tóxicas, tornando-o um investimento sem retorno. Dar dois dias de férias adicionais mas não promover segurança psicológica, ou investir em elaborados planos de formação mas dispor de tecnologia ultrapassada, são conceitos dissonantes.

Assim, e em momentos de crise como a que vivemos, é importante garantir que as organizações têm, factualmente, dados concretos, abrangentes e atuais que deem visibilidade à experiência que os colaboradores estão a viver na organização. Ter dados concretos vai permitir, através de interações ágeis, introduzir medidas concretas e sustentadas e avaliar o impacto das mesmas nos colaboradores.

Avaliar constantemente, em momentos curtos e fiáveis, os níveis de engagement e de liderança vai desenhar a carta que permite à organização navegar até bom porto. A sua organização sabe qual a experiência que os colaboradores estão a viver neste momento crítico da organização?

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