AdC dá “luz verde” à Altice para compra de 51% da Blueticket

  • Lusa
  • 13 Maio 2020

O regulador da concorrência decidiu permitir que a Altice compre 51% da Blueticket à Arena Atlântico: "Não é suscetível de criar entraves significativos" à concorrência.

A Autoridade da Concorrência (Adc) deu “luz verde” à Meo, do grupo Altice, para comprar 51% da Blueticket, a maior empresa de bilhética do país, até agora integralmente detida pela Arena Atlântico, revela um aviso publicado pela AdC.

O conselho da AdC tomou a decisão de não oposição à operação de concentração há cerca de uma semana, em 5 de maio, considerando que o negócio “não é suscetível de criar entraves significativos” à concorrência efetiva nos mercados da prestação de serviços de ticketing e dos serviços de tecnologias de informação relacionados com bilhética, segundo o aviso publicado na página de internet daquela autoridade.

Ao comprar de 51% da Blueticket, mas mantendo-se a Arena Atlântico também como acionista da empresa, a Altice Portugal entra assim numa nova área de negócio. O negócio foi notificado à AdC em 13 de fevereiro, um dia antes de a Altice Portugal, em comunicado, anunciar ter chegado a acordo com a Arena Atlântico para comprar o controlo (51% do capital) da Blueticket, mas sem revelar os valores envolvidos na operação.

Em comunicado divulgado nesse dia, o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, reconheceu que a compra de 51% da empresa de bilhética era uma aposta numa nova área de atividade e representava “maior investimento e o alargamento do seu ecossistema e área de atuação”.

No mesmo comunicado, também o administrador executivo da Arena Atlântico e da Blueticket, Jorge Vinha da Silva, sublinhava que o negócio representava “uma importante oportunidade de crescimento” da Blueticket e adiantou que “a entrada da Altice no capital da empresa assegura o acesso a know-how tecnológico e garante escala à atividade comercial da Blueticket”.

A Blueticket – que no seu site informa vender por ano 3,5 milhões de bilhetes — surgiu da cisão da área de ticketing da Arena Atlântico, que se dedica à exploração de espaços para espetáculos e eventos, através da gestão e exploração do pavilhão Altice Arena (antigo Pavilhão Atlântico), na Expo em Lisboa. A Meo, do grupo Altice, presta serviços de comunicações eletrónicas, de transporte e difusão de sinal, de oferta de serviços de voz, vídeo, dados e Internet, tanto fixos como móveis, e distribui televisão por subscrição.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

AdC dá “luz verde” à Altice para compra de 51% da Blueticket

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião