INE confirma impacto da pandemia no turismo. Hóspedes recuaram 62,3% em março

O número de hóspedes que passou pelos alojamentos turísticos de Portugal totalizou os 697,7 mil em março.

No mês de março os efeitos do coronavírus no turismo já se sentiram em força. O número de hóspedes que passou pelos alojamentos turísticos nacionais caiu 62,3%, totalizando os 697,7 mil, adiantou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira. Tanto os hóspedes estrangeiros como os nacionais caíram para mais de metade.

De salientar que as taxas de variação homóloga dos hóspedes das estimativas rápidas, que tinham sido divulgadas no final de abril, foram retificadas esta quinta-feira pelo INE, para 62,1%. Desta forma, a queda foi ainda mais acentuada do que o estimado inicialmente.

Já o número de dormidas foi confirmado, registando uma queda de 58,7% para 1,9 milhões. Não só os turistas residentes registaram uma diminuição acentuada, de 57,6%, mas também os estrangeiros (59,2%), numa altura em que o surto de coronavírus já estava espalhado pelo globo. Em todos os principais mercados emissores se verificaram quedas, nomeadamente aqueles mais atingidos. Foi o caso dos turistas chineses, que caíram quase 80%. Também aqueles vindos de Itália, primeiro foco do vírus na Europa, recuaram 76,5% em março. Já o mercado espanhol, onde também se contaram vários casos, que corresponde a 7,7% do total, registou um decréscimo de 67,3% nesse mês.

Os turistas norte-americanos também cortaram nas visitas, registando uma queda de 67,5% em março. Já os mercados alemão e britânico, que juntos contabilizam mais de um terço do total das dormidas daqueles não residentes em Portugal, caíram para mais de metade.

Com a forte redução de turistas, os proveitos totais tiveram uma queda de 60,2%, situando-se em 98,9 milhões de euros. De salientar que, “para além do impacto da atual pandemia, as variações homólogas foram também influenciadas pelo efeito de calendário correspondente ao Carnaval que, este ano, ocorreu em fevereiro e, no ano anterior, tinha ocorrido em março”, nota o INE.

Oito em cada dez estabelecimentos tiveram cancelamentos

A chegada inesperada da pandemia trouxe alterações aos planos de muitos turistas. Muitos dos que já tinham férias marcadas decidiram cancelar, perante a propagação do surto. Em Portugal, “78,9% dos estabelecimentos de alojamento turístico respondentes assinalaram que a pandemia motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de março a agosto de 2020″, assinalou o INE.

Foi nas regiões autónomas que os cancelamentos se sentiram mais. Na Madeira 91,8% dos estabelecimentos registaram cancelamentos de reservas, e nos Açores 90,7% sofreram o mesmo problema. Seguiram-se a região de Lisboa e do Algarve, ambos com uma proporção a rondar os 80%.

A maioria dos cancelamentos diziam respeito a reservas para os meses de junho a agosto, tipicamente altura das férias de verão. Foram os turistas nacionais que mais decidiram mudar a reserva, e foi no setor da hotelaria que mais se verificaram cancelamentos. Este foi também o tipo de estabelecimento onde as dormidas foram mais penalizadas.

(Notícia atualizada às 11h50)

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