Queda do PIB revela “forte” impacto da pandemia. Centeno diz que Portugal saiu-se melhor que outros países do euro

O Ministério das Finanças reconhece o "forte" impacto que a pandemia está a ter no PIB, mas argumenta que a economia portuguesa saiu-se melhor do que a média da Zona Euro.

A economia portuguesa contraiu 2,4%, em termos homólogos, no primeiro trimestre deste ano, o que já reflete o “forte impacto” da pandemia na atividade económica em março. Contudo, o Ministério das Finanças argumenta que Portugal saiu-se melhor do que os seus pares europeus.

“Esta primeira estimativa do INE reflete já o forte impacto que a pandemia de Covid-19 teve na atividade económica em março, uma vez que os dados até fevereiro indicavam a continuação do bom desempenho que se verificou no final de 2019″, escreve o gabinete de Mário Centeno em comunicado divulgado esta sexta-feira, após a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). A severidade da quebra da economia está bem espelhada no impacto que as três últimas semanas de março tiveram na evolução do PIB no primeiro trimestre“, destaca.

Porém, as Finanças argumentam que a contração do PIB português “é, ainda assim, menor do que a registada pelo Eurostat para a Zona Euro (-3,2%)“. E, além disso, “alguns dos principais parceiros comerciais de Portugal registaram contrações bastante acentuadas, como Espanha (-4,1%), França (-5,4%), ou Itália (-4,8%), contribuindo para o comportamento negativo das exportações”.

De facto, a contração do PIB português, em termos homólogos, foi inferior à da média da Zona Euro, mas é preciso assinalar que a queda em cadeia (do quarto trimestre de 2019 para o primeiro trimestre de 2020) foi superior à média: -3,9% em Portugal contra -3,8% na Zona Euro.

Além disso, a média da Zona Euro é muito influenciada pelas grandes economias: a Alemanha, que ficou abaixo da média, e França, Espanha e Itália, que ficaram bem acima da média, sendo dos países mais afetados em termos económicos e epidemiológicos pelo vírus. Só assim se explica que, apesar de estar abaixo da média, Portugal seja o sexto país com a maior queda do PIB no primeiro trimestre entre os países da União Europeia para os quais já há dados.

No comunicado, a equipa de Mário Centeno refere ainda que “a evolução do PIB no primeiro trimestre está totalmente alinhada com as estimativas para a atividade setorial apresentadas no Programa de Estabilidade“, o que sinaliza que o número estimado pelo INE está em linha com a previsão do Ministério das Finanças para a evolução da economia, a qual ainda não foi revelada. No Programa de Estabilidade consta apenas a previsão de que um confinamento de 30 dias como o efetuado em abril traduz-se numa quebra anual do PIB de 6,5%.

As Finanças fazem questão de assinalar que a pandemia quebrou um ciclo de 23 trimestres consecutivos de crescimento da economia portuguesa. “Esta é uma crise que não tem origem nem na economia nem no sistema financeiro“, argumenta o comunicado, repetindo os argumentos que o Governo tem dado a nível europeu e interno.

“Com efeito, a evolução da economia nos próximos meses dependerá do progresso na situação epidemiológica e do êxito do levantamento gradual das medidas restritivas que foram decretadas em Portugal e na União Europeia, espaço que absorve mais de 70% das exportações nacionais”, conclui.

(Notícia atualizada às 14h08 com mais informação)

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