BRANDS' CAPITAL VERDE Axpo: “Já temos mais clientes em Portugal do que em Espanha”

  • BRAND'S CAPITAL VERDE
  • 18 Maio 2020

A Axpo conta hoje em Portugal com 20 mil PME na sua carteira de clientes, tem um pé no mercado residencial e já está a testar uma visão de futuro assente no sistema de blockchain.

Foi a primeira empresa a celebrar um contrato de compra de Energia (PPA – Power Purchase Agreement) a longo prazo em Portugal, o que permitiu a instalação de uma central fotovoltaica em Évora. O grupo suíço Axpo, que produz, comercializa e distribui energia amiga do ambiente há mais um século, entrou em território nacional em 2009.

Soma já quatro centrais de produção de energia renovável, só nos últimos dois anos, com uma capacidade instalada de mais de 700MW, todas construídas sem financiamento público. Segundo Ignacio Soneira, diretor-geral da Axpo na Península Ibérica, não se ficará por aqui. “A vasta experiência do grupo Axpo neste tipo de projetos na Europa, bem como a nossa solvência creditícia, colocam-nos numa posição privilegiada, que nos permitirá, certamente, levar a cabo mais iniciativas semelhantes no país, neste e nos próximos anos”, confirma ao ECO.

A central fotovoltaica de Vale de Moura entrou em funcionamento em junho de 2019 e produz mais de 52GWh por ano (o equivalente ao consumo médio anual de 10.000 habitações).

Para o responsável, este tipo de projetos abrem “um novo caminho” para o desenvolvimento das energias renováveis, já que “permite o financiamento e, por conseguinte, a instalação de mais centrais de energia renovável fotovoltaica e eólica sem qualquer tipo de influência da tarifa elétrica no preço”, refere.

Soneira realça o benefício triplo do projeto das centrais em regime de PPA – para o mercado, para o consumidor e para o meio ambiente – pois, “ao não dependerem de ajudas públicas, não serão pagos com os impostos dos contribuintes”, adianta o diretor-geral da empresa.

Na visão do responsável, Portugal “é um país com potencial para o desenvolvimento de novas centrais de energia 100% renovável”, comprometido em “reduzir as emissões de CO2 e em cumprir as metas ambientais e de luta contra as alterações climáticas”. O objetivo da Axpo é, pois, fazer parte desta missão, “trabalhando de perto com empresas privadas” e com “organismos públicos”.

Projeto de autoconsumo fotovoltaico da Axpo nas instalações da Dan Cake, em Santa Iria, que vai permitir à empresa poupar cerca de 87.000€/ano.

Financiamento de projetos de eficiência energética para PME a 100%

É no mercado empresarial que a Axpo se especializou, com uma oferta de produtos e serviços de energia renovável para pequenas e médias empresas (PME), incluindo assessoria e financiamento de soluções de eficiência energética. Estes incluem a instalação de unidades de autoconsumo fotovoltaico, substituição de luminárias tradicionais por LED, realização de auditorias energéticas para identificar focos de desperdício de energia, entre outros.

A empresa acredita que a eficiência energética é uma premissa essencial para melhorar a competitividade dos negócios. “O crescente interesse das empresas pela utilização de energias 100% renováveis e sensibilização para as questões ambientais tem contribuído para o aumento da procura de soluções energéticas sustentáveis em Portugal e um maior investimento em medidas de poupança a médio e longo prazo”, refere Ignacio Soneira.

"Podemos dar o exemplo da Dan Cake, que implementou o nosso sistema de autoconsumo fotovoltaico numa das suas fábricas e a redução dos custos energéticos nos próximos 20 anos representa uma poupança superior e 2 milhões de euros.”

O diretor da energética para a Península Ibérica reconhece que uma das principais dificuldades das PME na transformação energética é a sua capacidade de financiamento. “Na Axpo somos conscientes dessa dificuldade e é por isso que financiamos os projetos de eficiência energética dos nossos clientes a 100%, para que não tenham que descapitalizar-se para conseguir essa transição”, garante ao ECO. Além de uma redução dos custos energéticos, as empresas podem amortizar o financiamento em pequenas quotas na fatura de eletricidade.

Mas estamos a falar de uma redução de que ordem? “Na maioria dos casos, a poupança obtida permite rentabilizar o investimento em menos de cinco anos”, garante Soneira. E acrescenta: “Podemos dar o exemplo da Dan Cake, que implementou o nosso sistema de autoconsumo fotovoltaico numa das suas fábricas e a redução dos custos energéticos nos próximos 20 anos representa uma poupança superior e 2 milhões de euros”.

“Temos mais clientes em Portugal do que em Espanha”

Onze anos depois de ter entrado em território português, a Axpo trabalha com cerca de 20 mil PME de todos os setores de atividade. “Temos neste momento mais clientes em Portugal do que em Espanha”, esclarece o diretor-geral da energética.

A evolução da empresa em Portugal “tem sido muito positiva”. Em 2019, viu a sua carteira de clientes crescer 60% e ao longo dos últimos anos tem vindo a reforçar o posicionamento da marca no país.

Em tempos de pandemia da COVID-19, a Axpo sabe que se avizinha “uma crise que será especialmente dura para as pequenas e médias empresas”. Lançou, por isso, algumas medidas para os seus clientes, nomeadamente “uma linha de apoio de 1.000.000€ para ajudar as empresas a fracionar o pagamento das faturas” e a garantia de “fornecimento energético aos negócios diretamente afetados pela crise da COVID-19, para que possam retomar e manter a sua atividade produtiva”, acrescenta.

"Portugal é um dos países mais atrativos para colocar em prática este modelo [blockchain], sobretudo após a entrada em vigor da nova legislação para o autoconsumo, mas existem ainda alguns condicionantes tecnológicos que terão de ser analisados para avançar (…).”

O mercado residencial

Mas o grupo suíço de energia verde também tem os olhos postos no mercado residencial, através da Goldenergy, da qual detém, desde 2018, a totalidade do capital. Trata-se de uma comercializadora de gás natural e eletricidade totalmente limpa e renovável e que opera de forma digital.

Com uma quota de 2% no mercado liberalizado de eletricidade e de 13% no gás natural, a Goldenergy terminou 2019 com lucros de 200 mil euros – após ter reportado prejuízo de 1,8 milhões de euros no ano anterior. De acordo com Miguel Checa, diretor-geral da empresa, o objetivo para 2021 é “angariar mais meio milhão de clientes só na eletricidade”.

Uma visão de futuro

Já imaginou poder comprar energia produzida por painéis fotovoltaicos dos seus vizinhos? Ou gerada por uma central eólica da sua cidade? Parece uma visão do futuro, que já é realidade na Alemanha.

“O sistema de blockchain lançado na Alemanha foi um projeto-piloto que está a ter bons resultados e pretendemos replicar este modelo noutros países”, explica ao ECO Ignacio Soneira. Chegará a Portugal? – perguntamos. “Portugal é um dos países mais atrativos para colocar em prática este modelo, sobretudo após a entrada em vigor da nova legislação para o autoconsumo, mas existem ainda alguns condicionantes tecnológicos que terão de ser analisados para avançar com o projeto em Portugal”, adianta.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Axpo: “Já temos mais clientes em Portugal do que em Espanha”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião