Covid-19: Alemanha canaliza 30 mil milhões de euros para seguros de crédito

  • ECO Seguros
  • 18 Maio 2020

O Governo germânico reforçou os seguros de crédito com 30 mil milhões. Igualmente, prevenindo falências e riscos na cadeia de abastecimento, Londres anunciou uma garantia de igual natureza.

A Alemanha colocou à disposição do setor de seguros de crédito uma garantia de 30 mil milhões de euros no quadro de um programa temporário cujo objetivo é prevenir eventuais falências e falhas de pagamentos na maior economia europeia. A medida visa assegurar maior segurança nas cadeias de aprovisionamento e dinamizar a recuperação rápida do comércio externo na fase de normalização da atividade económica, que sucede ao período de paragem por causa da Covid-19.

O pacote financeiro das autoridades de Berlim socorre-se de apoios da União Europeia e foi acordado com as seguradoras alemãs para o período entre abril e dezembro de 2020. Como contrapartida, as companhias que operam seguros de crédito comprometem-se a assumir até 500 milhões de euros de perdas (que excedam a garantia agora anunciada) na cobertura de riscos de falência dos exportadores. A assunção de eventuais perdas por parte das seguradoras corresponde a cerca de dos terços do total de prémios arrecadados em 2019, cujo montante rondou 820 milhões.

A Alemanha é o terceiro destino mais importante das exportações portuguesas (bens e serviços), precedido apenas por Espanha e França, de acordo com estatísticas provisórias para 2019.

A Comissão Europeia já saudou a iniciativa germânica classificando-a como solução “de remuneração justa” e, por parte do setor: “A garantia estatal permite às seguradoras assumir riscos mais elevados do que os que seriam justificados pela avaliação efetiva dos riscos”, congratula-se a federação germânica de seguros GDV (Gesamtverband der Deutschen Versicherungswirtschaft).

Projeções da Euler Hermes (grupo Allianz) estimam que, por efeito da pandemia, as falências na Europa poderão crescer 19% em 2020. No entanto, de acordo com o organismo alemão de estatística (Destatis), em março, o número de falências empresariais desceu 13,4% face a igual mês do ano passado.

Tesouro britânico adota medida semelhante

De acordo com a página eletrónica do Insurance Journal, o Reino Unido conta com iniciativa de efeito equivalente e que estará em vigor a partir do final de maio, compreendendo um reseguro temporário apoiado pelo governo para que as empresas possam continuar a ter acesso ao seguro de crédito comercial durante a crise da COVID-19.

A garantia britânica será operacionalizada através de um contrato de reseguro a favor das seguradoras de crédito comercial que operam atualmente no mercado. O objetivo também consiste em dar resposta aos constrangimentos que agentes económicos das cadeias de abastecimento têm enfrentado para manter a coberturas de seguro da atividade.

Devido ao impacto da pandemia, as empresas com dificuldades em honrar pagamentos “correm o risco de ter o seguro de crédito cancelado, ou de os prémios aumentarem para níveis incomportáveis“, explicou o Tesouro.

O regime de garantias anunciado poderá ajudar a “acelerar a recuperação económica, assegurando a disponibilidade contínua de seguros de crédito comercial face a pressões financeiras sem precedentes que atualmente se fazem sentir na maioria dos setores empresariais”, referiu a Associação das Seguradoras Britânicas (ABI) saudando o anúncio para a facilidade que também estará em vigor até final de 2020.

No documento que revela a medida, o Tesouro cita alguns números. Só em 2018, os seguros de crédito reuniram 450 milhões de libras esterlinas (cerca de 509 milhões de euros) para cobertura de riscos e atividades que geraram 350 mil milhões de libras em volume de negócios. Dados relativos a abril deste ano, indicam que atividade comercial representando 171 mil milhões de libras de faturação estava coberta por seguros de crédito.

“Se implementado corretamente”, o mecanismo apoiado pelo governo conservador liderado por Boris Johnson permitirá que as empresas que integram as cadeias de abastecimento continuem a dispor de cobertura “contra o risco de insolvência”. Por outro, o regime de backstop anunciado é um recurso para que as seguradoras de crédito comercial possam continuar a fornecer cobertura às empresas do Reino Unido “assumindo mais riscos do que de outra forma teriam sido capazes de assumir”, complementa a ABI.

Noutros países europeus como a França, Holanda, Espanha, em certa medida Portugal, e mesmo na América do Norte (Canadá), as autoridades governamentais avançaram com remédios equivalentes no quadro dos seguros de crédito.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Covid-19: Alemanha canaliza 30 mil milhões de euros para seguros de crédito

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião