Navigator mantém produção reduzida de papel até final de junho. Cancela dividendos

A Navigator prolongou até fim de junho a redução parcial de produção de papel. Os lucros caíram quase 38% no trimestre, levando a administração a propor também o cancelamento dos dividendos.

A Navigator vai prolongar até ao final de junho a redução parcial de produção de papel de impressão e escrita anunciada no mês passado. Perante uma queda de quase 38% nos lucros do primeiro trimestre, a administração vai propor também aos acionistas a retenção do montante que, inicialmente, serviria para distribuir em dividendos.

Quanto à redução da produção, a empresa justifica a medida com a “diminuição de encomendas, abrupta e sem precedentes, registada desde o final de março”. O grupo reconhece que são “visíveis” os “primeiros sinais de retoma da procura”, mas indica que “os mesmos são ainda ténues e não permitem retomar a produção aos níveis anteriores”. Porém, em comunicado, garante que vai continuar a pagar a totalidade do rendimento de todos os trabalhadores.

Neste contexto, a administração da Navigator decidiu propor aos acionistas não pagar os 99 milhões de euros em dividendos que estavam previstos. “Por razões de prudência ante a evolução da situação [provocada pela pandemia] e também por decorrência do recurso ao lay-off simplificado, é retirado a proposta relativa à aplicação de resultados a ser discutida na assembleia geral anual da sociedade agendada para 28 de maio”, lê-se no relatório com as contas do trimestre, enviado à CMVM.

Concretamente, a Navigator esclarece que “procedeu à distribuição de reservas no valor de cerca de 100 milhões de euros em janeiro de 2020” e lembra que “a proposta, agora retirada, incluía o pagamento de dividendos num montante de 99 milhões de euros”. “A empresa irá proceder à convocação de uma nova assembleia geral, cujo ponto único na agenda será a aprovação de uma nova proposta de aplicação de resultados líquidos […] no sentido de os mesmos serem integralmente aplicados na rubrica de reservas livres”, acrescenta.

A informação foi comunicada pelo grupo no mesmo dia em que apresentou aos investidores os resultados do primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a Navigator registou lucros de 30,6 milhões de euros, uma queda de 37,9% face ao mesmo trimestre de 2019. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) também recuou, tendo caído 15,7%, para 88,4 milhões.

A contribuir para o deteriorar dos lucros esteve a queda de 3,8% nas vendas totais, que decresceram para 405,8 milhões de euros, apesar de a empresa destacar que o trimestre registou o “segundo melhor nível de sempre de carteira de encomendas de papel para este período”, tendo o impacto do coronavírus feito sentir-se a partir de meados de março.

“A partir de meados de março com a implementação do estado de emergência, em diversos países destino das exportações do grupo, e das consequentes medidas estritas de confinamento, verificou-se uma significativa redução na atividade dos seus clientes e no consumo global de papel”, aponta a Navigtor.

“A diminuição de encomendas, sem precedentes, registada desde o final de março forçou a Navigator a suspender parcial e temporariamente a produção de papel a partir de 22 de abril, por um período estimado inicialmente de cerca de 30 dias afetando entre 700 toneladas a 2.000 toneladas diárias”, avança a empresa. É esta medida que a Navigator anuncia agora que vai estender até fim de junho.

A Navigator espera agora uma “recuperação progressiva das vendas” até ao fim do ano. A empresa estima que “o efeito na procura global” de papel de impressão “seja mais forte no segundo trimestre e com maior incidência nos mercados chave na Europa e nos Estados Unidos”. “A procura por papel de escritório beneficiará particularmente da reabertura das escolas e universidades, do regresso dos trabalhadores aos escritórios e do ressurgimento do setor dos serviços”, sublinha o grupo.

(Notícia atualizada pela última vez às 20h12)

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