Administradores do Estado na TAP ‘votaram’ contra plano de novas rotas

Há mais um foco de tensão entre o Governo e a comissão executiva da TAP, desta vez por causa do plano de voos a partir do Norte. Os gestores nomeados pelo Estado foram contra.

O plano de voos da TAP para os próximos dois meses, 27 ligações semanais em junho e 247 em julho, a esmagadora maioria das quais a partir do hub de Lisboa, é um novo foco de tensão entre o Governo e a comissão executiva da companhia precisamente no momento em que está em discussão o plano de apoio público à companhia. Os administradores indicados pelo Estado no conselho de administração da TAP manifestaram a sua discordância em relação àquele plano nas reuniões que antecederam a sua divulgação, precisamente por causa dos voos a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas acabou mesmo por ser adotado pela equipa de Antonaldo Neves.

Oficialmente, a TAP não faz comentários, e o ministro da Tutela, Pedro Nuno Santos, também não. Mas o ECO confirmou que a discussão sobre o plano de retoma das rotas da TAP a partir de junho foi alvo de discussões em sede de conselho de administração, presidido por Miguel Frasquilho, nomeado em nome do Estado. Além de Frasquilho, também estão no conselho em nome do Estado os administradores Diogo Lacerda Machado, Esmeralda Dourado, Bernardo Trindade, Ana Pinho e António Gomes de Menezes.

A TAP, recorde-se, é controlada em 50% pelo Estado, 45% pelos privados da Atlantic Gateway e 5% por trabalhadores, mas o acordo parassocial assinado com o Estado conferiu a David Neeleman e a Humberto Pedrosa a gestão executiva e operacional da companhia, enquanto o Estado tem voto nas decisões estratégicas.

Nessas reuniões, os administradores em representação do Estado terão proposto planos alternativos com mais voos a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, por exemplo o caso de Porto-Milão, considerado particularmente relevante para a indústria de calçado e têxtil no Norte. Mas as propostas foram rejeitadas, e o plano terá sido até divulgado sem o aviso prévio no conselho.

O argumento da gestão executiva da TAP é simples: A companhia não tem condições para operar rotas com prejuízo, mais ainda agora que está a negociar com o Governo um plano de recapitalização da companhia. Mas é precisamente este o argumento usado por lideres políticos como Rui Rio e Rui Moreira para criticarem a decisão da TAP. O presidente da Câmara do Porto afirmou que a TAP está a “tentar impor um confinamento ao Porto e ao Norte”, enquanto o líder do PSD considerou que “a TAP não é uma empresa nacional, está visto”, e não responde aos aeroportos de Faro, Funchal, Ponta Delgada ou Porto “como deve de ser“.

Minutos antes, foi o PS, através do seu secretário-geral, a tomar uma posição. “O plano de retoma da atividade da TAP não serve nos interesses nacionais, na perspetiva do PS”. O secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, anunciou que o partido interpelou a companhia aérea para alterar este programa, mas avisa que poderá estar em causa a ajuda pública à empresa.

E agora, o próprio Presidente também entrou na discussão. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou à agência Lusa que “acompanha a preocupação manifestada por vários partidos políticos e autarcas relativamente ao plano de retoma de rotas da TAP, em particular no que respeita ao Porto”.

Como o ECO já revelou, o Governo está neste momento a negociar o modelo de recapitalização da TAP, que será superior a mil milhões de euros, e deverá ser entregue em Bruxelas na primeira semana de junho. João Nuno Mendes foi o gestor escolhido pelo Governo, assessorado pela VdA e pela Deloitte, além da própria Parpública, a empresa que tem a participação pública de 50% na companhia aérea.

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