BRANDS' PESSOAS Como gerir a cultura organizacional em teletrabalho?

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  • 8 Junho 2020

Patrícia Vicente, Manager EY, People Advisory Services, fala das adaptações e revisões que as empresas devem fazer para acompanhar as mudanças e os desafios das novas formas de trabalhar.

Passados três meses de total confinamento, começamos a ganhar alguma “normalidade”, na nossa vida pessoal e também na nossa vida profissional. Nesta fase, algumas das mudanças que a pandemia tem trazido já começam a ser tão “naturais” que se tornam parte do agora chamado “novo normal”.

Uma das principais aprendizagens que 2020, e a atual pandemia, trouxeram às empresas e ao mercado de trabalho, é sem dúvida a realidade do teletrabalho e de como este pode estar mais presente na maior parte das empresas.

Nos últimos meses, foi possível comprovar que o teletrabalho não é apenas adaptável para alguns setores ou empresas como se julgava. Quer seja num modelo mais permanente ou híbrido, o teletrabalho é possível em grande parte das organizações sem impacto significativo na entrega, no cumprimento dos objetivos e na produtividade.

Neste momento, algumas empresas estão já a trabalhar para rever os seus modelos de trabalho e de gestão de pessoas, por forma a introduzir o teletrabalho como oportunidade, concedendo às suas pessoas segurança nos tempos mais próximos e uma maior flexibilidade e facilidade de gestão da vida pessoal e profissional no futuro.

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Segurança e flexibilidade são algumas das vantagens do teletrabalho.D.R.

Naturalmente, estas mudanças nas organizações e no mercado de trabalho exigem um conjunto de adaptações e estratégias alinhadas ao novo contexto e formato de trabalho. Todas estas mudanças representam um enorme desafio ao nível da cultura organizacional, dado que, com equipas fisicamente distantes, é aparentemente mais exigente manter o espírito de equipa e o compromisso com a organização, por exemplo.

Aquilo que se vivia e se sentia diariamente nas empresas, no local de trabalho, nos espaços comuns e nos momentos de convívio, naturalmente terá de ser adaptado, para que se garanta que as pessoas se mantêm motivadas, com sentido de pertença, a viver os valores da empresa, a colaborar e a reforçar a união entre a equipa.

A adoção do smartwork ou do teletrabalho como metodologia permanente ou alternativa de trabalho, vai trazer diversas vantagens – económicas para as organizações e de flexibilidade para as pessoas – no entanto, exigem uma forte revisão estratégica ao nível da cultura organizacional e da gestão de pessoas, pois rapidamente poderá levar ao afastamento das equipas e ao enfraquecimento da relação do colaborador com a empresa.

"É essencial criar oportunidades em que os colaboradores deixam o trabalho de lado, para aderir a aulas de grupo, sessões de formação e reuniões de convívio online onde o principal objetivo é descontrair e relacionar-se com os outros”

Patrícia Vicente

Manager EY

É essencial que as empresas, paralelamente a esta adoção mais transversal, acompanhem esta fase para rever e adaptar as suas políticas e estratégias de comunicação – garantindo informação e proximidade, de gestão de pessoas – assegurando níveis de performance e bem-estar, e de marketing – reforçando o posicionamento no mercado, com colaboradores, clientes e parceiros. Para que mesmo num ambiente organizacionalmente diferente com menos presença física, os colaboradores se mantenham reconhecidos, envolvidos e felizes!

Um dos principais focos a analisar para manter a cultura organizacional é aquele que tem sido o pilar nas organizações nos últimos tempos – a comunicação. Seja através da disponibilização de meios de comunicação digitais, da criação de novas rotinas, da oportunidade para partilhar e apresentar sugestões, de momentos de acompanhamento/monitorização e feedback, até aos momentos de convívio e lazer.

Outro ponto essencial será manter a regularidade nas reuniões diárias ou semanais, para delegação e acompanhamento do trabalho, sem esquecer a importância dos momentos de lazer, onde se reúnem os colaboradores para um contexto de convívio sem abordar o trabalho. É essencial criar oportunidades em que os colaboradores deixam o trabalho de lado, para aderir a aulas de grupo, sessões de formação e reuniões de convívio online onde o principal objetivo é descontrair e relacionar-se com os outros.

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É essencial criar oportunidades para os colaboradores descontraírem.D.R.

Fundamental será também não esquecer as reuniões individuais, com cada elemento, de forma personalizada. É importante recordar que o ser humano é um ser sociável e que o isolamento é sentido por cada um de forma diferente, podendo ter impactos psicológicos e como tal requer uma estratégia e acompanhamento adequados.

Nos tempos que se avizinham, a resiliência vai ser a competência mais colocada à prova no mundo do trabalho e principalmente no teletrabalho. Do lado das organizações, para preservar a cultura empresarial, a gestão das equipas e o bem-estar das suas pessoas, com forte impacto na retenção do talento, nos resultados e na produtividade. Do lado das pessoas, na capacidade de adaptação a um novo formato de trabalho, que exige uma mudança de rotina, de ambiente e de espaço.

Estamos a assistir a uma mudança global, em que todos mudam e todos necessitam de se adaptar. Os resultados, em termos de adaptação das formas de trabalhar, estão a ser positivos, mas temos de garantir que estes se mantêm – uma vez que ainda são recentes. Para isso é fundamental adotar estratégias e redefinir políticas, para que a relação que existe entre pessoas e empresas não se perca, para que a cultura individual de cada organização continue a ser vivida por quem dela faz parte.

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