Exclusivo Abanca deixa cair negócio com o EuroBic

O negócio que estava quase feito, afinal, caiu. Os espanhóis do Abanca desistiram de comprar o banco de Isabel dos Santos e Fernando Teles por falta de acordo no preço oferecido.

Há um volte-face no acordo do Abanca com o EuroBic: Os espanhóis deixaram cair o negócio de compra do banco liderado por Teixeira dos Santos. As negociações entre o Abanca e os acionistas do EuroBic, Isabel dos Santos e Fernando Teles, estavam em curso desde fevereiro, na sequência do Luanda Leaks e da pressão do Banco de Portugal, já havia um acordo de princípio, mas nas duas últimas semanas as negociações entraram num impasse e agora o Abanca anunciou a desistência da operação.

O ECO apurou junto de fontes que conhecem o dossiê que o Abanca tinha dado um prazo até ontem ao final do dia para os acionistas do EuroBic responderam a uma proposta final, e tal não aconteceu. A confirmação do fim do negócio surgiu ao final da tarde desta terça-feira, com o Abanca a anunciar que “apesar de ter dedicado esforços e recursos significativos à aquisição de 95% do EuroBic, foi forçado a desistir da operação, uma vez que as condições acordadas para o referido objetivo não foram cumpridas“. A decisão já foi comunicada ao EuroBic e ao Banco de Portugal.

Na base das divergências estará o resultado da due diligence desenvolvida nas últimas semanas e os efeitos da Covid-19 nas contas do banco. Estes dois efeitos, conjugados, terão levado o Abanca a apresentar uma proposta inferior àquela que foi feita, de caráter não vinculativo, no momento da assinatura do memorando de entendimento.

"Apesar de ter dedicado esforços e recursos significativos à aquisição de 95% do EuroBic, foi forçado a desistir da operação, uma vez que as condições acordadas para o referido objetivo não foram cumpridas.”

Abanca

O Abanca terá feito uma proposta inicial a rondar os 240 milhões de euros. Porém, Juan Carlos Escotet, chairman do Abanca, já tinha admitido rever em baixa a proposta final a entregar aos donos do EuroBic em função dos resultados da auditoria que estava em curso.

Isabel dos Santos e Fernando Teles, recorde-se, controlam 90% do banco, mas na sequência de um arresto preventivo decidido pelo juiz Carlos Alexandre, no âmbito dos Luanda Leaks, a empresária angolana e filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos perdeu os seus direitos de voto no banco (42,5%).

O EuroBic fechou 2019 com lucros recorde de 61 milhões de euros. O desempenho ficou a dever-se em grande parte a uma decisão do tribunal arbitral em relação a um litígio que opunha o banco ao Estado português no âmbito da venda do BPN, em 2012, e cujo contributo foi de 30,6 milhões de euros para os proveitos do EuroBic.

O caso Luanda Leaks, revelado pelos jornais em meados de janeiro, deu origem a uma fuga de depósitos de mais de 600 milhões de euros do EuroBic, com as notícias em torno da acionista Isabel dos Santos a afetarem “significativamente” a reputação do banco e a confiança dos seus depositantes. Perante estes desenvolvimentos, a administração do banco começou logo por cortar a ligação comercial a Isabel dos Santos e entidades relacionadas e, à medida que ia perdendo depósitos no pico da turbulência, foi vendendo títulos de dívida para assegurar níveis de liquidez confortáveis, acima dos níveis exigidos pelo BCE. Depois, com o anúncio do negócio com o Abanca, a situação estabilizou nos últimos três meses.

(Notícia atualizada às 19h57 com a confirmação do Abanca de que deixou cair o negócio de compra do EuroBic)

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