BRANDS' ECOSEGUROS O comércio online: quando o erro e os perigos se encontram à espreita

  • BRANDS' ECOSEGUROS
  • 25 Junho 2020

Ricardo Azevedo, diretor técnico da Innovarisk Underwritting, reflete sobre os riscos e os perigos a que empresas e utilizadores estão sujeitos com o crescimento do comércio online.

Ao longo das últimas décadas, o comércio online tem vindo progressivamente a ganhar espaço pelo número cada vez maior de pessoas interessadas em efetuar compras através da internet. Esse crescimento acabou por conhecer um aumento muito significativo durante este período de pandemia e quase de um dia para o outro, aquilo que era um ajustamento lento dos padrões de consumo e distribuição, transformou-se no acorrer a uma necessidade premente. Os consumidores, remetidos a uma lógica de confinamento social, viram-se forçados a adquirir online muitos dos seus bens e serviços. Do lado dos profissionais e empresas houve rapidamente que ajustar a forma de distribuir esses bens e serviços por forma a ir ao encontro das necessidades da procura e em última análise, sobreviver.

Que a pressa é inimiga da perfeição, no fundo, todos sabemos. No mundo empresarial, perante a necessidade de compreender problemas, estudar soluções e testar conceitos, não há comparação possível entre dispor de recursos, de um acesso facilitado à informação ou de um tempo alargado para trabalhar todas as etapas de um ciclo de desenvolvimento e ter de fazer tudo isso em contrarrelógio sem o mesmo nível de recursos, queimando etapas e potencialmente colocando em maior risco a qualidade dos processos. Nesse tipo de contexto, com maior naturalidade surgem os erros.

Quando, por exemplo, uma pequena empresa familiar, com recursos próprios, abraça de um dia para o outro o canal de distribuição online e faz as primeiras incursões no mundo das páginas web ou das redes sociais, há algumas armadilhas que se escondem à espreita. Pode ser grande a tentação de fazer uso de imagens descarregadas na Internet, protegidas por direitos de propriedade intelectual. Ou ignorar a importância dos protocolos e boas práticas de segurança, colocando em risco os dados dos clientes.

"Quer estejamos a efetuar uma compra de um eletrodoméstico ou de um bilhete para um espetáculo, quer estejamos no nosso local de trabalho a efetuar uma transação comercial com recurso a meios digitais, é importante que conheçamos as boas práticas e que estejamos atentos.”

Ricardo Azevedo

Diretor técnico Innovarisk Underwritting

Os profissionais do setor das tecnologias de informação podem auxiliar outras empresas no trilhar deste caminho e estão obviamente muito mais capacitados para enfrentar os desafios do online. Mas ao mesmo tempo que este período veio alargar o seu mercado potencial de curto prazo, as particularidades do contexto deste novo tempo obrigou em muitos casos os técnicos a trabalhar para os seus clientes sob uma pressão ainda maior de tempo e de menos recursos. Os riscos envolvidos são diversos e os erros podem tomar proporções elevadas.

Se o portal de vendas online de um cliente ficar indisponível demasiado tempo por um qualquer erro de programação ou por não suportar uma quantidade razoável de visitantes em simultâneo, esse cliente vê as suas vendas seriamente comprometidas e irá provavelmente reclamar do mau serviço e dos prejuízos. E o que aconteceria caso existisse um erro informático ao nível do processamento dos pagamentos online?

Por último, os utilizadores. Quer a nível particular, quer no âmbito profissional, há hoje em dia uma quantidade significativamente maior de pessoas e de número de horas em que essas pessoas estão ligadas em rede. Também aqui o perigo mora à espreita, não só porque o modo súbito e a impreparação com que muitos utilizadores abraçaram uma nova realidade deixaram-no mais premiáveis ao erro, como porque infelizmente este crescimento do digital veio tornar-se num terreno fértil para iniciativas levadas a cabo por pessoas mal-intencionadas que fizeram disparar as estatísticas em torno do cibercrime.

A necessidade de os utilizadores utilizarem aplicações e sites nunca antes experimentados, os obstáculos à comunicação com colegas de trabalho para confirmar informações, encomendas ou dados para pagamento ou a necessidade de utilizar um computador pessoal sem os mesmos sistemas de segurança, tudo isto são aspetos que tornam as pessoas e os sistemas mais vulneráveis aos perigos cibernéticos e que facilitam o trabalho dos hackers. Por isso, quer estejamos a efetuar uma compra de um eletrodoméstico ou de um bilhete para um espetáculo, quer estejamos no nosso local de trabalho a efetuar uma transação comercial com recurso a meios digitais, é importante que conheçamos as boas práticas e que estejamos atentos.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

O comércio online: quando o erro e os perigos se encontram à espreita

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião