BRANDS' PESSOAS Talento global: os novos desafios para a gestão de recursos humanos

  • BRANDS' PESSOAS
  • 29 Junho 2020

Joana Gonçalves Rebelo, Manager EY, People Advisory Services, e Joana Maia, Consultora EY, People Advisory Services, falam dos desafios e oportunidades da nova gestão dos recursos humanos (RH).

A pandemia desafiou as organizações a desenvolverem novas e diferentes formas de trabalhar. A capacidade de adaptação ao trabalho e a interação à distância trouxeram às empresas uma nova perspetiva de gestão dos seus recursos humanos, nomeadamente o potencial de angariação global de talento.

Atualmente um número crescente de pequenas e médias empresas, aquelas que dominam o tecido empresarial português de acordo com o Eurostat, tende a adotar o trabalho remoto de forma total ou híbrida, isto, é com equipas a trabalhar de forma em parte remota e em parte presencial.

São inúmeras as que adotaram o trabalho totalmente remoto enquanto modelo de negócio e filosofia de trabalho desde que foram criadas, como por exemplo a 10up Inc (Remote companies), ao passo que outras foram ajustando progressivamente os seus modelos de trabalho passando de empresas que trabalhavam apenas em regime presencial para empresas que trabalham de forma presencial e a partir casa, integrando colaboradores com funções totalmente virtuais nas suas equipas.

trabalhar a partir de casa

Vive-se um momento sem precedentes, e à medida que mais organizações adotam um ambiente de trabalho remoto e flexível, desenham-se oportunidades novas e únicas nomeadamente a angariação de talento a nível mundial sendo necessário atender questões fundamentais iniciais, como a aculturação e ferramentas de trabalho.

A adoção de smart working, quer seja de forma total ou integrado, permite que as empresas tenham acesso a uma pool de talento a nível mundial, sem limites geográficos e sem necessidade de recorrer a mecanismos como o expatriamento, reduzindo custos para as organizações e beneficiando os trabalhadores que passam a poder trabalhar a partir de qualquer local, sem que a sua vida pessoal seja condicionada. As empresas podem beneficiar de vários modelos educacionais, experiências diferentes, multiplicidade cognitiva, abraçando a diversidade e trazendo o que há de melhor para o campo de crescimento e desenvolvimento do negócio.

Tudo isto requer uma reconfiguração das políticas organizacionais, enquadramentos legais e formas de trabalhar. Por exemplo, terminado o processo de recrutamento e seleção de um colaborador que irá trabalhar a partir de outra geografia, colocam-se questões diversas: como vai decorrer o processo de onboarding? Como se transferem os valores e cultura organizacional?

A interação social presencial promove o espírito de equipa e de entreajuda, o sentimento de pertença e a criação de uma identidade organizacional. Este desafio pode ser mitigado promovendo, por exemplo, encontros regulares que reúnam os colaboradores numa geografia única ou através de momentos informais de interação diários utilizando as plataformas colaborativas existentes.

Adicionalmente, há ainda muitas etapas que dependem fortemente de abordagens tradicionais: como asseguram as empresas questões práticas como a entrega dos dispositivos de trabalho e softwares que estes dispõem, de que forma assegura o suporte do Helpdesk?

trabalho-remoto

Uma forma possível de mitigar barreiras desta natureza, é através do desenvolvimento de políticas que permitam flexibilizar a aquisição de dispositivos de que um colaborador necessita para o seu trabalho. São assim, várias as empresas que têm uma política de “Bring your own device”, a qual pressupõe que o colaborador utiliza os seus equipamentos para trabalhar em contrapartida de pagamento suplementar. Outras políticas passam, por exemplo, pela atribuição de um subsídio para aquisição de dispositivos a partir de uma lista previamente disponível e que varia consoante as necessidades específicas de cada função.

O atual contexto está a reconfigurar a forma como é feita a gestão de recursos humanos, alargando a pool de talento. Certamente que o trabalho exclusivamente remoto não será aplicável a todas as empresas e funções, no entanto são inúmeras as oportunidades de não só diversificar a força de trabalho, mas trazer para as empresas novos talentos, onde quer que eles estejam.

E a sua empresa, já se está a preparar para os desafios da angariação de talento global?

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