TAP vai ser nacionalizada. Privados chumbam proposta do Governo em conselho de administração da companhia

A TAP vai ser nacionalizada porque os privados não aceitam as condições impostas pelo Governo. Neste momento, decorre assembleia geral da empresa e está a ser feito último esforço para haver acordo.

A TAP vai ser nacionalizada, avança o Expresso e confirmou o ECO junto de fontes que conhecem as negociações. Depois de um conselho de administração da companhia aérea ao longo da tarde e noite de segunda-feira, a proposta com as condições exigidas pelo Estado para avançar com um empréstimo até 1.200 milhões de euros foi chumbada pelos administradores indicados pela Atlantic Gateway de David Neeleman e Humberto Pedrosa. E agora só um volta-face de última hora poderá impedir a publicação do decreto de nacionalização, que deverá suceder provavelmente já amanhã.

A Atlantic Gateway, que tem 45% da TAP, rejeitou as condições esta segunda-feira à noite o empréstimo de até 1.200 milhões de euros que o Estado português ia fazer. Empréstimo esse ao qual até a Comissão Europeia já tinha dado luz verde. E a principal razão está na exigência do Governo de que 217 milhões de prestações acessórias dos privados passem a capital social, condição que David Neeleman não aceita.

Neste momento, sabe o ECO, decorre uma assembleia geral de acionistas da TAP e está a ser feito um último esforço, incluindo da parte de Humberto Pedrosa, para convencer o sócio David Neeleman a aceitar as condições do Estado que permitiriam evitar a nacionalização. “Ainda temos o dia de hoje para tentar ultrapassar este impasse”, disse ao ECO uma fonte que acompanha as negociações.

A solução para evitar uma nacionalização poderia também passar por uma recompra da posição acionista de David Neeleman, mas o empresário exigiu 65 milhões de euros, o que foi considerado inviável pelo Governo.

O ECO contactou o Ministro das Infraestruturas e Habitação, que remeteu esclarecimentos para a audição de Pedro Nuno Santos, que está a decorrer esta manhã na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação. Já fonte oficial da transportadora aérea diz desconhecer esta informação, uma vez que não integram as negociações.

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