“Tenho trabalhado de forma muito próxima com Costa Silva”

"Fui um dos primeiros e um dos últimos a falar" com Costa Silva, gestor nomeado para coordenar os trabalhos preparatórios de elaboração do Programa de Recuperação Económica e Social.

António Costa Silva, CEO da petrolífera Partex, foi o homem escolhido por António Costa para desenhar o Programa de Recuperação Económica e Social, no pós-crise provocada pela pandemia de Covid-19. O gestor tem trabalhado com os vários ministérios, mas especialmente com o do Ambiente e Ação Climática. “Tenho trabalhado de forma muito próxima com Costa Silva”, garante João Pedro Matos Fernandes.

“Fui um dos primeiros e um dos últimos a falar com ele”, conta o ministro em entrevista ao ECO/Capital Verde, através da plataforma Teams. “Tenho trabalhado muito de perto com o engenheiro Costa Silva”, diz, salientando, contudo, que o documento que o gestor disse, recentemente, esperar entregar “talvez no final do mês”, será “dele e a responsabilidade final será sempre dele”.

Matos Fernandes lembra que no Ministério do Ambiente e Ação Climática “também tínhamos já um documento do que havia de ser o ambiente e a sustentabilidade no pós-Covid, que acaba por ser uma parte relevante do que esperamos que venha a ser o trabalho final”.

E nem o facto de Costa Silva ter um percurso ligado à indústria do petróleo e gás — combustíveis fósseis poluentes que se querem fora do mix energético para que Portugal possa atingir as suas metas de descarbonização para 2030 e 2050 — é um impedimento à colaboração próxima do gestor da petrolífera vendida em 2019 pela Gulbenkian aos novos acionistas tailandeses com a pasta do Ambiente do Governo de António Costa.

“Já conheço o seu trabalho há muitos anos e como ministro nomeei-o para presidente do Conselho Consultivo dos combustíveis da ERSE. Não estigmatizo ninguém pelo setor em que trabalha e não tenho dúvidas que é um dos pensadores mais privilegiados do país e um acrescento à reflexão que temos vindo a fazer para a recuperação pós-Covid”, diz o ministro. Sobre o plano que em breve será apresentado, garante que terá uma “componente verde muito robusta”.

“A transição energética e o compromisso com o Green Deal é um compromisso português. O plano que Costa Silva vai apresentar não foge a essa realidade. Ele já o disse: não vai propor investimento no petróleo ou no gás. Isso certamente não vai integrar o plano, não faz sentido que assim seja. O plano será adequado ao que o país precisa. Sabendo que a agenda ambiental é a agenda mais trendy na Europa, o plano teria sempre uma componente verde muito robusta”, remata Matos Fernandes.

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