Insurtech Lemonade fez furor em Wall Street

  • ECO Seguros
  • 7 Julho 2020

A insurtech teve estreia marcante em Wall Street. Por cima de um envelope de 320 milhões que rendeu a venda de capital, o 1º dia na Nyse catapultou o valor da Lemonade para mais de 3,5 mil milhões.

A Lemonade é uma startup licenciada nos EUA como seguradora do ramo P&C (propriedade e danos) apostada num modelo inteiramente baseado em inteligência artificial, promete melhor seguro e mais barato. Pagando pelo risco que transfere para resseguradoras, ainda se orgulha de devolver à sociedade parte dos prémios de seguro. Por isso, ainda não apresentou lucros e afirma que isso não deverá acontecer tão cedo, mas confia no imenso mercado onde encontra tração, os consumidores jovens.

Beneficiando do suporte de um acionista como a japonesa SoftBank, a Lemonade tem crescido nos EUA e já tem um pé na Europa (Alemanha e Holanda). Para ganhar escala precisa de capital e, com a assistência de bancos (Goldman Sachs, Morgan Stanley e Barclays, entre outros), preparou o IPO – Initial Public Offering (oferta inicial de capital em bolsa) registada e aprovada pelo regulador (Securities and Exchange Commission) para cotar na New York Stock Exchange (Nyse).

A estreia em Wall Street (Nyse) foi um êxito: abriu a um preço mais de 70% superior à cotação de entrada (29 dólares/título, este já superior ao intervalo definido para a oferta) e a valer cerca de 2,7 mil milhões (1 000 milhões acima da valorização anteriormente atribuída ao unicórnio dos seguros online). Daí em diante, os motivos de regozijo sucederam-se. O título da plataforma insurtech disparou 139,3% ao longo da sessão e, no fecho da jornada inaugural já valia 3,8 mil milhões de dólares, assegurando à empresa um encaixe a rondar 319 milhões de dólares (menos de 300 milhões em termos líquidos) pela venda de 11 milhões de ações (excluindo o pacote de ações opcionais à disposição dos subscritores).

Logo após fecho da sessão de estreia, as páginas de alguns sites noticiosos de informação financeira serviam imagens de copos cheios de limonada decorada com hortelã e recorriam a superlativos que vinham rareando pelo espaço mediático num semestre marcado pela emergência da pandemia e por volatilidade acrescida nas bolsas.

Wall Street reanimou em vésperas de feriado nacional nos EUA (4 de julho). A insurtech ganhou um lugar entre as sete melhores estreias bolsistas de 2020 e estimulou outras tecnológicas que espreitam oportunidades para ir ao mercado. No entanto, se o intervalo de preço fixado para a oferta se tivesse aproximado, pelo menos, da cotação verificada no arranque da primeira sessão, a Lemonade teria conseguido mais dinheiro fresco, mas os investidores institucionais junto de quem os intermediários financeiros colocaram ações (no período que antedeceu o IPO) estariam agora a aceder a ganhos potenciais menos atrativos.

Com o desempenho de estreia, a insurtech – que neste mês completa cinco anos de vida desde que foi criada por Daniel Schreiber e Shai Wininger e registada um ano depois – alcançou um valor de mercado acima dos 3,4 mil milhões de euros. Procurando termos de comparação na praça lisboeta, a Lemonade passou a valer tanto quanto duas REN, ou duas NOS ou ainda dois BCP, todas cotadas no índice PSI20 (Euronext). Para último gole da limonada mediática (e salvo correção de valores no fecho da operação), a seguradora digital ameaça completar o IPO a valer mais de 20% da capitalização bolsista do seletivo que reúne as 18 maiores portuguesas da Euronext Lisboa.

Na New York Stock Exchange (Nyse), os IPOs decorrem ao longo de três dias, por forma a permitir que os bancos intermediários escolhidos pela emitente completem alocação de carteiras e que se cumpram requisitos de estabilização do valor mobiliário. No termo deste período regulamentar (closing day), as transferências de carteiras cessam, apura-se o resultado oficial (os fundos recolhidos são transferidos para conta da oferente e a documentação final do IPO torna-se então incondicional), definindo-se também a nova estrutura acionista da emitente.

Salvando o deslumbramento e sem prejuízo de detalhes finais mais precisos que resultem do fecho do IPO, com conclusão prevista para esta terça-feira (7 de julho), fontes não oficiais avançam que a estrutura acionista de topo na Lemonade deverá ficar encabeçada pelo SoftBank (com participação diluída para cerca de 22%, embora com direitos de voto limitados de modo que não retire poder de decisão aos cofundadores da tecnológica), seguindo-se os fundos Sequoia e Aleph, com cerca de 8% cada, os cofundadores da Lemonade, Shai Wininger (7,2%) e Daniel Schreiber (6,4%), a General Catalyst (5,9%) e a XL Innovate (4,2%).

Apesar de, no segundo dia de bolsa, o papel ter atingido um pico nos 96,5 dólares por título no intraday – fechando a sessão somando 30% ao valor da sessão anterior e a elevar a capitalização de mercado para perto de 4,5 mil milhões -, os mais céticos continuam a afirmar que a insurtech tem muito para provar sobretudo em termos de escala e rentabilidade do modelo de negócio.

No arranque de terça-feira (3º e último dia do IPO), com os índices nova-iorquinos de referência a começarem o dia apontando desvalorização, o papel da Lemonade somava quatro a sete dólares ao preço de fecho anterior, oscilando entre 85 e 88 dólares por ação nos primeiros minutos da sessão, embora com alguns analistas a anteciparem correção em baixa para o valor que levou o setor insurtech aos píncaros da bolsa.

Segundo números da atividade operacional, a Lemonade Inc. (licenciada nos EUA como seguradora e agente) obteve mais de 67 milhões de dólares de receitas em 2019, triplicando o volume de negócios do ano anterior, mas os resultados negativos também progrediram no período, passando de cerca de 53 milhões (em 2018), para mais de 108 milhões de dólares de perdas em 2019.

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