Subir rating, continuar investimento e aumentar dividendo. Os objetivos de Stilwell para a EDP

Novo CEO interino da elétrica explicava, numa conferência há duas semanas, os objetivos da empresa para os próximos meses, bem como o impacto que o coronavírus está a ter no negócio.

O gestor Miguel Stilwell d’Andrade é o novo CEO interino da EDP. A sucessão temporária aconteceu esta segunda-feira depois de António Mexia ter sido afastado pela Justiça, no âmbito do caso EDP em que é acusado de corrupção. Há apenas duas semanas, Stilwell d’Andrade representava a elétrica (então como CFO) e explicava quais os objetivos para os próximos meses: subir rating, continuar o investimento e (só depois) aumentar o dividendo.

“É sobejamente conhecido que a EDP tem uma política de dividendo muito estável”, começou por explicar o gestor, na edição de 25 de junho da BiG e-Talks, uma série de conferências online organizadas pelo BiG – Banco de Investimento Global. Stilwell d’Andrade contou que muitos investidores lhe perguntam quando é que a EDP vai aumentar o dividendo.

“O objetivo é chegar a um rating de BBB. Estamos em BBB-, portanto subir um notch para BBB. [Depois] continuar executar o plano de investimento e, então quando tivermos visibilidade sobre o crescimento do nosso resultado líquido, começar a aumentar o dividendo”, referiu sobre as prioridades. “É sempre um equilíbrio permanente entre estas três variáveis para assegurar que conseguimos maximizar o valor para o acionista“.

"O objetivo é chegar a um rating de BBB, continuar executar o plano de investimento e, então quando tivermos visibilidade sobre o crescimento do nosso resultado líquido, começar a aumentar o dividendo.”

Miguel Stilwell d'Andrade

CEO interino da EDP

A EDP tem remunerado os acionistas em 0,19 euros por ação nos últimos anos — num total de 695 milhões de euros — e este é o teto mínimo até 2022, segundo o plano estratégico que a empresa apresentou, no ano passado, ao mercado. Foi também nessa altura que a elétrica reviu a estratégia com uma forte aposta nas renováveis: prevê investir 12 mil milhões de euros, enquanto desinveste em negócios não core.

“As grandes geografias de onde está a vir o crescimento são os EUA e o Brasil. No futuro, eventualmente virá mais da Europa, mas em 2020 claramente o crescimento virá dos EUA e Brasil”, disse, acrescentando que, em termos setoriais, “grande parte do crescimento está a vir da parte das renováveis”. A empresa espera “quase triplicar o ritmo de crescimento das renováveis”.

Efeitos positivos da Covid-19 vão “mitigar em grande parte” impacto negativo

Os planos estão, no entanto, a ser afetados pelo coronavírus. “Obviamente que não somos imunes à Covid. Fomos penalizados no Brasil, pela desvalorização do real, mas também por exemplo na área comercial“, apontou o novo CEO da EDP.

Explicou que quando a empresa fecha um contrato com cliente, compra a mesma energia para abastecer esse cliente. Se o cliente consome menos, sobra energia que tem de ser vendida no mercado. “Tipicamente estamos a revendê-la com prejuízo e isso obviamente traduz-se num impacto negativo da Covid”, apontou.

Há uma segunda ordem de efeitos, que não tem impacto diretamente no resultado, mas tem impacto na execução que é algum atraso na construção de projetos de renováveis e de transmissão, por exemplo no Brasil.

“Estimamos um atraso de cerca de três a quatro meses nalguns projetos. Penso que não terá grande impacto na rentabilidade dos projetos, mas tem objetivamente um impacto no sentido de que a entrega desses projetos vai acontecer um pouco mais tarde do que estava inicialmente previsto”, continuou. O terceiro impacto é na dívida devido às moratórias no pagamento das faturas e ao aumento esperado no malparado dos clientes.

"Obviamente que não somos imunes à Covid. Fomos penalizados no Brasil, pela desvalorização do real, mas também por exemplo na área comercial.”

Miguel Stilwell d'Andrade

CEO interino da EDP

Se há efeitos negativos, há também positivos na gestão de energia, nas mais valias dos ativos de renováveis ou na diminuição dos custos financeiros. “Estes positivos vão mitigar em grande parte os efeitos negativos da Covid. Globalmente, estamos confortáveis com o consenso de mercado e com as estimativas que os analistas que nos seguem têm até ao final do ano“, acrescentou Stilwell d’Andrade.

Os últimos resultados, que contabilizam apenas um mês de pandemia, mostram que os lucros da EDP disparou 45% para 146 milhões de euros no primeiro trimestre. A elétrica tinha já assumido um impacto reduzido do período de confinamento por causa do coronavírus, cujos efeitos poderão, no entanto, fazer-se sentir com mais força entre abril e junho deste ano. O então CEO da empresa António Mexia manteve na altura o guidance de lucros de 800 milhões de euros em 2020.

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